Hamlet investiga assassinato
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de maio de 1999
Érika Pelegrino 
Hamlet tem uma obsessão: encontrar a todo custo o verdadeiro assassino de seu pai. Este é o enfoque que Alexandre Simioni deu em sua adaptação livre do texto hômonimo de William Shakespeare. O Opereta Grupo de Teatro, do Sesc-Aeroporto, volta a apresentar a montagem Hamlet amanhã, sábado e domingo, e nos dias 28, 29 e 30, no próprio Sesc-Aeroporto.
A busca de Hamlet acontece em um cenário constituído basicamente por sucatas e ao som de uma trilha sonora trágica composta por músicas atuais e pesadas. Para encontrar o assassino de seu pai, o príncipe e outros personagens lançam mão de recursos circenses, como pernas-de-pau e tochas, além das cuspidoras de fogo.
Presente durante toda a montagem, a morte é pontuada pelo fogo. No Hamlet de Alexandre Simioni todos os personagens, os masculinos inclusive, são representados por mulheres. Isto porque o elenco do Opereta é formado apenas por mulheres.
Por conta disto, as atrizes que têm entre 16 e 23 anos se viram obrigadas a um intenso trabalho de laboratório para imprimir veracidade aos papéis masculinos. Através de pesquisa e oficinas elas buscaram o seu lado masculino para emprestá-lo ao personagem.
Foram meses de trabalho até a estréia em dezembro do ano passado no Teatro do Lago, às margens do Lago Igapó. A proposta, segundo a produtora artística do Opereta, Marisa Cury Lopes de Castro é levar um clássico, como Hamlet, ao maior número de pessoas possível.
Esta foi a primeira vez, segundo Marisa de Castro, que o grupo trabalhou um texto de Shakespeare. O único contato com o escritor foi na peça Apenas Romeu e Julieta também encenada pelo Opereta, quando foi realizada uma sátira a Romeu e Julieta.
Em Hamlet, o trabalho foi diferente. As atrizes tiveram que ler muito o autor, tiveram que pesquisar para conhecê-lo bem, afirma Marisa de Castro. Com Hamlet, o Opereta comemora o terceiro ano de existência e três montagens já realizadas: As Três Mosqueteiras, Transição (versão de Valsa nº 6, de Nelson Rodrigues) e Apenas Romeu e Julieta.
Com apresentações apenas em Londrina, Assaí e Ibiporã, o grupo, segundo Marisa de Castro, busca agora uma projeção maior. Já nos inscrevemos em diversos festivais de teatro como o de Ouro Preto, e até um de Portugal. Estamos esperando uma resposta, afirma. O grupo também está em busca de patrocínio e já prepara um projeto para ser apresentado para a Lei Municipal de Incentivo à Cultura.


