Hamlet e o lixo em espaço para poucos
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quinta-feira, 25 de junho de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Hamletrash, a versão de final de século de Hamlet, ou do que sobrou dele, volta a ser apresentada em Curitiba neste final de semana, comemorando os dois anos da peça. O teatro escolhido foi o Escritório de Arte Glauco Menta, espaço que conta apenas com 25 lugares. O tom trash (lixo) do espetáculo casa-se com estes tempos de transição, onde a arte é duramente sabatinada. O que restou de originalidade numa obra de arte? Pouco ou quase nada!, apregoa o autor da peça, Cesar Almeida.
A tão almejada originalidade desgastou-se através dos séculos. Daí as releituras, que começaram não se sabe quando. Cada época vai aprimorando o que a ancestralidade preparou há alguns milênios, e assim vamos repetindo e aperfeiçoando a grande obra universal, diz o dramaturgo.
Até mesmo a primeira versão de Hamlet, uma lenda com um personagem chamado Amleth, perde-se no tempo. O que se sabe é que Ur-Hamlet provavelmente foi um texto escrito por Thomaz Kyd, que teria inspirado Shakespeare a escrever seu célebre trabalho, mas estudos indicam que a lenda de Amleth é muito mais antiga que tudo que se conheceu depois.
- É a arte imitando a vida que imita a arte que imita a vida, numa interpenetração que não deixa mais espaço para a ficção pura, também não há realidade que o seja; não há mais espaço para o purismo, vivemos um tempo plural e reciclado.
Nos dois anos em que Hamletrash percorreu os palcos curitibanos, mereceu análises e comentários dos espectadores. A professora Anna Camatti, estudiosa de Shakespeare, publicou artigo através do CD-Rom da Universidade de Illinois (USA) Our Shakespeares. Pela editora da Universidade Federal do Paraná lançou Hamletrash: Um Hamlet Brasileiro de Retalhos.


