Jamie Lee Curtis está de volta ao papel que deu início a sua carreira no cinema, o de Laurie Strode. A atriz de ‘‘True Lies’’ e ‘‘Um Peixe Chamado Wanda’’ fica novamente cara a cara com seu irmão serial killer, Michael Myers, no filme ‘‘Halloween: H20’’. É a celebração dos 20 anos do primeiro franchising de terror de Hollywood, que rendeu à atriz o apelido de scream queen (rainha do grito). ‘‘Halloween’’, dirigido por John Carpenter em 1978, foi o precursor de séries como ‘‘Sexta-Feira 13’’ e ‘‘A Hora do Pesadelo’’. O filme original teve mais cinco partes, nenhuma com o mesmo sucesso do original e da versão atual.
‘‘Halloween: H20’’, que estreou na semana passada nos Estados Unidos, já fez mais de US$ 25 milhões nas bilheterias. O filme custou US$ 17 milhões para a Dimension Films, o segmento de produções de terror do estúdio Miramax, responsável por hits como ‘‘Pânico’’ e ‘‘Pânico 2’’. ‘‘Halloween: H20’’ tem tudo para fazer tanto sucesso quanto o filme que deu origem a série, que custou US$ 300 mil e arrecadou US$ 55 milhões nos Estados Unidos - Jamie Lee Curtis, por exemplo, ganhou US$ 2 mil por semana, em quatro semanas de filmagens, para participar da produção original, uma das mais lucrativas de todos os tempos.
A série começa com Myers na cadeia por ter matado a facadas sua irmã mais velha no Dia das Bruxas, 31 de outubro. Ele passa 15 anos atrás das grades, até que foge da prisão para matar sua outra irmã, Laurie (Jamie). Ela escapa, mas fica traumatizada com sua experiência de Halloween na época em que era uma babysitter adolescente (Jamie tinha 19 anos quando fez o papel). Duas décadas mais tarde, ela está de nome novo e em outra cidade, no norte da Califórnia, onde trabalha como professora numa escola particular.
Ela tem um filho de 17 anos (Josh Harnett), um novo namorado (Adam Arkin, conselheiro na mesma escola) e um problema sério de exagerar nas bebidas alcoólicas, que piora a cada 31 de outubro. No início de ‘‘H20’’, os alunos preparam o acampamento anual de Halloween enquanto Laurie planeja um fim de semana com o namoradão. Seu filho decide ficar em casa e usa a escola vazia para uma festa particular com sua namorada (a atriz Michelle Williams, do seriado de TV ‘‘Dawson‘s Creek’’) e outro casal (Adam Hann-Byrd e Jodi Lynn O‘Keefe).
Como todo fã de filme de terror sabe, basta juntar um grupo de adolescentes nessas circunstâncias que algum maníaco assassino aparece. Myers dá novamente as caras, ou melhor, a máscara. Por sinal, um dos momentos mais legais do filme é quando os dois irmãos ficam cara a cara, separados apenas por uma espécie de escotilha. É o que o roteirista Kevin Williamson (de ‘‘Pânico’’) chama de ‘‘momento Sigourney Weaver’’, por causa da série ‘‘Alien’’. Não há violência, apenas muito medo e ódio nos olhares, o suficiente para você se encolher na cadeira. Em geral, os sustos são frequentes e, o melhor, inesperados, como em todo bom filme de terror.
Outro lance especial de ‘‘H20’’ é a participação da atriz Janet Leigh, mãe de Jamie, conhecida pela não menos aterrorizante cena do chuveiro de ‘‘Psicose’’, de Alfred Hitchcock. Janet faz o papel da secretária de Laurie, chamada Norma (d‘aprSs Norman Bates, o serial killer de ‘‘Psicose’’, imortalizado por Anthony Perkins). Entre outras citações, Janet sai de cena dirigindo o carro que sua personagem tinha em ‘‘Psicose’’, depois de dizer a seguinte frase: ‘‘Nós todos tivemos coisas ruins que aconteceram com a gente’’.
‘‘H20’’ é cheio de piadas no estilo de ‘‘Pânico’’, como muitas referências cinematográficas. Williamson não tem seu nome nos créditos, mas deu uma ajuda aos roteristas Robert Zappia e Matt Greenberg. O diretor, desta vez, é Steve Miner, que estreou em 1981 com ‘‘Sexta-Feira 13, Parte 2’’. O papel de Myers é ‘‘interpretado’’ pelo dublê Chris Durand. O destaque do elenco é mesmo Michelle, de 17 anos, cuja personagem, Molly, tem muito a ver com a de Jamie no ‘‘Halloween’’ de 1978. Por exemplo, ela dá um discurso em sua sala de aula muito parecido com o que Laurie fez 20 anos atrás. Outra participação especial de ‘‘H20’’ é a do rapper e aficionado em filmes de terror LL Cool J.
Se houver outra parte da série, a oitava (as intermediárias foram ‘‘Halloween 2 - O Pesadelo’’, de 1981, ‘‘Halloween 3 - Noite de Terror’’, de 1982, ‘‘Halloween 4 - O Dia das Bruxas’’, de 1988, ‘‘Halloween 5 - A Vingança de Michael Myers’’, de 1998, e ‘‘Halloween 6: A Última Vingança’’, de 1995), é bom que seja logo. Basta fazer as contas: 20 anos depois (mais os 15 de prisão), Michael Myers deve estar na casa dos 60. Até que para um quase sexagenário, ele está em ótima forma física, porque corre, pula e esfaqueia como nos velhos tempos.

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