Halle Berry dá nova vida às Bond girls
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domingo, 01 de dezembro de 2002
Ricardo Bairos<br> Agência Estado 
Desde Ursula Andress que uma Bond girl não chamava tanta atenção quanto Halle Berry, que faz o papel da agente secreta Jinx no novo filme de 007, ''Um Novo Dia para Morrer''. Quarenta anos depois de ''007 Contra o Dr. No'', a ganhadora do Oscar de melhor atriz deste ano por ''A Última Ceia'' faz uma homenagem à atriz suíça que encarnou a beldade Honey Rider. Ao mesmo tempo, consegue dar nova vida aos papéis femininos da franquia, que estavam meio em baixa desde o início dos anos 80. Por conta do sucesso, Jinx pode ganhar a própria série no cinema, um projeto que ainda está em fase de idealização.
007 volta às telas brasileiras em 10 de janeiro com uma parceira à altura. Nunca uma Bond girl chamou tanto a atenção da mídia quanto em ''Um Novo Dia para Morrer''. Apesar de o Oscar ter rendido prestígio à atriz, a decisão de fazer o filme já tinha sido tomada na época da cerimônia. Ainda assim, Berry não menosprezou o papel. Pelo contrário, deu maturidade à personagem, que nos últimos tempos tinha ganhado destaque apenas pelos shorts curtos de Denise Richards e as técnicas de artes marciais de Michelle Yeoh. O apelo sexual, no entanto, continua firme.
Jinx aparece nas telas pela primeira vez em um tributo à Bond girl original, Andress, que ficou famosa ao sair do mar da Jamaica em um biquíni branco com um cinto de ''utilidades'' da mesma cor, uma faca e duas conchas. Berry repete a cena em Cuba: o biquíni passa a ser laranja, mas a ''entrada'' causa a mesma comoção. Em 1962, no entanto, o risco era grande, porque o público não estava acostumado com cenas tão ''provocantes''. A aposta deu certo.
Apesar do sucesso mediano do filme, Andress virou símbolo sexual internacional e foi a responsável por uma das cenas mais famosas da fraquia até hoje. O apelo sexual de sua personagem virou referência na revolução sexual pela qual o mundo passou nos anos 60. Ao mesmo tempo, foi criado o ideal da Bond girl: uma mulher exótica, bonita, sedutora, perigosa, cheia de surpresasà Bond girls boas e más entraram para as fantasias dos homens.
Daí para a frente, nenhuma delas conseguiu fazer tanto sucesso quanto Andress, mas os papéis continuaram a chamar atenção e dar oportunidades de fama internacional para atrizes de países tão distintos quanto Itália, Suécia, Israel e Rússia. O destaque quase sempre ficou para a polêmica e a quebra de tabus: em ''Moscou Contra 007'', por exemplo, a comtrovérsia ficou com uma briga sexy entre ciganas e uma pudica cena de cama que teve de ser cortada nos Estados Unidos porque o umbigo da ex-Miss Israel Alizia Gur apareceu.
No início da franquia, a Bond girl mais famosa foi também a atriz com maior experiência no cinema: Honor Blackman, de 37 anos, que era famosa na Grã-Bretanha pelo papel da agente secreta Catherine Gale na série ''Os Vingadores''. Ela fez o papel da vilã Pussy Galore em ''007 Contra Goldfinger'', em 1964. O nome causou polêmica, assim como sua sexualidade ambígua. No final, claro, ela é ''salva'' do lesbianismo pelo charme de 007.
A barreira racial foi quebrada pela primeira vez em 1966, em ''007 - Só Se Vive Duas Vezes'', que teve a atriz Mie Hama no papel da japonesa Kissy Suzuki. Outra tentativa foi feita em 1972, quando a cantora Diana Ross foi considerada para o papel de Solitaire, uma garota má que se redime em ''Com 007 Viva e Deixe Morrer''. O estúdio vetou a escolha porque 007 não podia ir para a cama com uma negra, caso contrário o filme não seria lançado, segundo eles, em 45 países, como a África do Sul do apartheid.
A inglesa Jane Seymour pegou o papel, mas os produtores Harry Saltzman e Albert R. Broccoli conseguiram colocar outra Bond girl negra no filme: Gloria Hendry, que chegou a ter uma cena de sexo com Bond. Sua participação, no entanto, foi completamente censurada em versões exibidas em vários países e até no interior dos Estados Unidos. 007 só veio a dormir com uma negra novamente em 1985, no filme ''007 - Na Mira dos Assassinos''. Foi com a cantora Grace Jones no papel da dominadora May Day, uma das vilãs mais esquisitas da franquia até hoje. A etnia das Bond girls não ficou tão variada com o tempo. Além de Berry, a única mulher não-branca a contracenar com o agente secreto nos últimos tempos foi a chinesa Michelle Yeoh, que fez o papel da mestre em artes marciais Waio Lin em ''007 - O Amanhã Nunca Morre''.
De todas as Bond girls, uma das que menos chamou a atenção foi que teve uma presença mais firme na vida do agente secreto: a secretária Moneypenny, que foi interpretada por Lois Maxwell em 13 filmes da série. Atualmente, a personagem é da atriz Samantha Bond. Outra Bond girl recente é a veterana atriz Judi Dench, que faz desde 1995 o papel de M, a chefe do espião. Antes, o personagem era sempre um homem.


