Haja coração
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de junho de 2002
Célia Musilli<BR>Reportagem Local 
Enquanto o Brasil dá um show na Copa, fora de campo os torcedores dão um espetáculo à parte. Nas casas, nas ruas, nos bares registramos cenas hilárias observando os tipos que integram a torcida verde-amarela. Confira a seguir, os personagens mais comuns do país do futebol.
Dublê de corpo - fica em frente à TV imitando cada passe. Movimenta o corpanzil da esquerda para a direita, da direita para a esquerda acompanhando a bola. Dribla, chuta, faz gol como se fosse Ronaldinho ou Rivaldo. De vez em quando tropeça no Totó ou no tapete da sala e se estatela no chão achando que pode cavar um pênalti.
O P.h.D - é o sujeito que sabe tudo, mas tudo mesmo de futebol. Lembra de cor a escalação do time de 1950, recorda que Mauro Ramos de Oliveira levantou a Jules Rimet na Copa de 62 e que Carlos Alberto Torres fez o último gol na Copa de 70. Não deixa ninguém falar. Diálogo com ele é monólogo. Ainda por cima, o tipo nem se toca que assistir o jogo com ele é ir-ri-tan-te.
O maníaco do zapping - ele assiste a todos os jogos da Copa e grava tudo para assistir depois e fazer seu próprio tira-teima. Depois das partidas fica zapeando os canais para assistir simultâneamente ao Apito Final, Cartão Verde e Terceiro Tempo, conversando sozinho como se estivesse frente a frente com os comentaristas. Como se não bastasse, procura os amigos nos bares e vibra com os lances até pelo menos 72 horas depois que o jogo acabou.
O escrachado - em dia de jogo ele não faz barba e nem penteia o cabelo. Coloca a pior bermuda para ver o jogo que, invariavelmente, assiste sem camisa. Para piorar arrasta o chinelão da sala para a cozinha, da cozinha para a sala e agride com seu visual qualquer visita ou parente com a mínima noção de estética. Acredita piamente que torcedor mal vestido fica mais à vontade.
O almofadinha -ele usa roupa esporte e tênis de grife para ver o jogo. Bebe uísque em vez de cerveja e acompanha a Copa mais para impressionar os amigos com a sua TV de 64 polegadas do que pelo interesse no resultado do jogo. Indiferente, não mostra muita emoção mesmo quando o Brasil faz gol. Em outras palavras, é literalmente um chato.
O beberrão - quatro horas antes do time entrar em campo, ele toma uma, toma duas, toma três. Lá pela décima quinta grita Pra Frente Bragil! e perde a consciência que só recupera no dia seguinte, de ressaca. Acorda perguntando onde foi parar o cunhado que prometeu trazer uma caixa de cerveja antes do jogo.
O supersticioso - só assiste ao jogo da Copa com uma vela acesa em cima da TV e uma bandeirinha do Brasil espetada do lado. Faz figa toda vez que a seleção está armando uma jogada e quando o adversário ameaça fazer gol grita catiça ou shazan, pelo menos três vezes, antes que o jogador cruze a bola na área. Se o time ganha, garante que foi porque não trocou de meia desde a primeira partida. Se perde, acusa a mulher de ter sumido com a medalhinha de Nossa Senhora do Caravaggio que ele aperta junto com a foto do Felipão na hora do jogo.
O boca suja - xinga a mãe do juiz, do bandeirinha e para ele todo o técnico e adversário é f.d.p. Durante a partida, manda para p.q.p. quem discordar dele em qualquer tipo de lance. Ca...ramba é a palavra mais fina que sai da sua boca. Contrariado, tira rapidinho a b... da cadeira e sai da sala invocado para não ver mais essa m... de jogo.


