Haikai para todos
Nelson Sato
De Londrina
Eram trinta vagas. Apareceu mais gente. A oficina de haikai, comandada pela poeta Alice Ruiz esta semana em Londrina, atraiu poetas, artistas plásticos, músicos, estudantes universitários e curiosos em geral.
A promoção foi da Secretaria Municipal de Cultura. Durante três dias, os participantes tiveram noções básicas de zen budismo e de haikai. Nem todos saíram satisfeitos do encontro, embora a maioria tenha se empolgado bastante com o aprendizado e com a presença da autora curitibana.
O músico Rodrigo Amadeu, da banda de rock The Cherry Bomb, conta que interessou-se pelo curso para saber mais sobre esse gênero de poesia e também para estimular a criatividade. Não que a partir de agora eu vá fazer haikais e colocar músicas em cima, ressalvou. Mas eu queria desenvolver o lado da composição, e nisso a Oficina me ofereceu alguma ajuda.
O também músico Avelino das Mercês, 21 anos, é outro que tirou proveito do evento. Até então, ele nunca tinha arriscado um haikai. Mas depois dessa maratona poética, garante que suas próximas composições ganharão um novo tônus. Com a visão do haikai, a música fica com mais essência, mais conteúdo. Tem o porquê de estar escrevendo sobre um assunto ou outro explica.
Já entre os poetas participantes, os elogios a Alice Ruiz não foram poucos. Ela tem um grande conhecimento das técnicas e do espírito da poesia observou o estudante de Letras Carlos Eduardo Zago, 24 anos. Com dois livros prontos e engavetados um deles de haikais ele enfatizou que os três dias de convívio propiciaram uma reflexão mais abrangente sobre o conceito de poesia, que é uma coisa feita para e por todos, uma coisa coletiva.
A poeta Déa Alvarenga, 52 anos, por sua vez, apreciou particularmente o segundo dia da Oficina, no qual os alunos foram estimulados a criar seus próprios haikais às margens do Lago Igapó. Passamos uma tarde pensando com o coração, sem intelectualização observou ela, que já possui livros publicados e é integrante da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina.
Segundo ela, Alice Ruiz forneceu uma visão mais solta do haikai, sem a estrutura rígida das dezessete sílabas. Entre os demais participantes, contudo, houve quem (sem querer se identificar) criticasse o formato da Oficina, taxando o último dia como uma enrolação. O último dia foi dedicado à leitura e seleção com o aval coletivo dos haikais produzidos pela turma. Os haikais selecionados serão publicados num livro a ser editado pela Secretaria Municipal de Cultura.





