Hackman versus Hoffman
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de dezembro de 2003
Especial para a Folha 2 
A prosa best-seller de John Grisham volta e meia se apóia em grandes batalhas judiciais de gente comum contra poderosos, sejam pessoas físicas ou grandes corporações. Hollywood, claro, está sempre de olho no escritor, às vezes ainda em fase de sinopse embrionárias, mas de antemão negociada por cifra capaz de humilhar qualquer mega-sena acumulada. ''O Júri'', outra estréia deste final de semana (veja a programação de cinema na página 2), é mais um Grisham adaptado (''O Dossiê Pelicano'', ''A Firma'', ''Tempo de Matar''), outro desses ''thrillers'' de tribunal com platéia cativa mundo afora.
No centro da trama de ''O Júri'' o que está em julgamento é a indústria armamentista americana, acusada e processada pelo ataque de um homem a um edifício. Um dos jurados começa a manipular os demais (John Cusack, bom como sempre), influenciado pela companheira (Rachel Weisz). Seu propósito parece ser dinheiro, não importa se dos advogados de defesas ou de acusação. E ali estão Gene Hackman e Dustin Hoffman, juntos pela primeira vez e se enfrentando em cena antológica, mas somente depois de hora e vinte de filme. Faz lembrar outro histórico choque de ''monstros sagrados'', De Niro e Pacino em ôFogo Contra Fogo".
O diretor Gary Fedler constrói um relato com ritmo correto, mantendo boa dose de suspense e tensão em torno dos poderosos interesses em jogo, dos lobistas e das obscuras confabulações que alimentam as paranóias urbanas. ''O Júri'' não tem perfil natalino, mas merece um lugar à ceia. (C.E.L.J.)


