'Há muita beleza na simplicidade'
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 

Para facilitar a aproximação com as comunidades de vários países por onde passaram, o fotógrafo Leonardo Salomão e a nutricionista Daniella Schuarts, do Projeto Evoé, de Curitiba, lançaram mão de várias tentativas. Numa delas, levaram fotos do repórter fotográfico da Folha de Londrina, Gustavo Carneiro, que possui o projeto "Cores do Gueto", em que fotografa moradores de assentamentos e favelas do Brasil e, depois, realiza uma exposição na comunidade visitada. "Fizemos uma exposição com essas fotos na periferia de Mbare, na cidade de Harare, no Zimbábue e, de imediato, houve uma identificação daquelas pessoas com o Brasil", diz Schuarts.
E tão importante quanto a aproximação, segundo ela, para conhecer o lugar, foi preciso despir-se de qualquer preconceito, abrir-se para o novo e olhar além dos detalhes considerados ruins. "Em algumas localidades existe, sim, a escassez de alimentos, em outras, porém, é uma questão de simplicidade e não, obrigatoriamente, pobreza. Há muita beleza na simplicidade e a riqueza cultural de cada lugar que passamos é imensa."

ENCANTOS
Dentre os locais visitados, o fotógrafo Leonardo Salomão lembra de um vilarejo no Nepal, onde plantam, até hoje, arroz com arado. "Parecia que tínhamos voltado 400 anos no tempo." Já na Índia, possibilidade de destino que surgiu no meio da viagem, Schuarts define como "outro planeta". "Todos os hábitos são completamente diferentes dos nossos e alimentação, para eles, têm papel central, é um presente divino para a sobrevivência. É bonito de ver o simbolismo, o ritual e o respeito que têm pelos alimentos, além da manutenção da tradição pelo trabalho manual que vai da feitura do utensílio à refeição." Na Tailândia, por sua vez, experimentaram diversos insetos, uma das fontes de proteínas. "Em vários locais, comemos muita coisa que até hoje não temos ideia do que seja", ri.


