Assim como ainda não se chegou a um acordo se Capitu traiu ou não Bentinho, existe uma controvérsia quanto a data de publicação da obra-prima de Machado de Assis, ‘‘Dom Casmurro’’. A maioria dos estudiosos aponta como ano de publicação 1899, enquanto alguns pesquisadores dizem que o ano correto é 1900. O que se sabe com certeza é que em 1899, Machado de Assis vendeu todos os direitos de publicação de 10 obras suas - inclusive ‘‘Dom Casmurro’’ - para o livreiro francês H. Garnier.
Segundo o autor R. Magalhães Júnior, no seu livro ‘‘Machado de Assis Desconhecido’’ (3ª edição, Editora Civilização Brasileira especialmente para a Companhia Distribuidora de Livros, 1957), no dia 16 de fevereiro de 1899, Machado de Assis compareceu ao cartório do 5º Ofício do Rio de Janeiro para firmar, perante o tabelião Cruz Machado, o contrato de venda definitivo de suas obras.
Segundo a professora-doutora em Literatura Brasileira da Universidade Estadual de Londrina e especialista em Machado de Assis, Adelaide Caramuru Cézar, o que pode ter provocado esta controvérsia é que o próprio Machado de Assis teria escrito e datado a obra em 1899, mas só entregue à publicação em 1900. ‘‘Alguns capítulos de Dom Casmuro, como o 3º, 4º e 5º, que tratam dos agregados, foram publicados ainda antes, em 1893, no jornal ‘A República’’’, diz.
Na verdade, não importa muito se o livro foi publicado há um século ou 99 anos atrás, a não ser a título de comemorações. O que importa é que as palavras de Machado de Assis não têm idade e continuam atuais.

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