Há 90 anos, nascia o caubói mais durão do cinema
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 1997
Ademir Fernandes Agência Estado 
Há 90 anos, no dia 26 de maio de 1907, nascia o pequeno Marion Michael Morrison, na cidade de Winterset, Estado de Iowa (EUA). Cinco anos depois, a família mudou-se para a Califórnia, onde comprou um rancho à beira do deserto do Mojave, e ali Marion e seu irmão Bob aprenderam a montar a cavalo. Quando começou a estudar no ginásio, o garoto ganhou um oportuno
apelido - Duke -, já que Marion não soava com muita masculinidade.
Sonhava primeiro em ser advogado, depois em ser marinheiro. Mas seus planos mudaram quando ele conheceu o cineasta John Ford, que o incentivou a se tornar ator e ofereceu um papel em Mother Machree (Minha Mãe), em 1928 - além de um novo nome: Você tem cara de...John Wayne!, disse o diretor.
vários filmes, estreou finalmente como protagonista de A Grande Jornada (The Big Trail), em 1930, dirigido por Raoul Walsh, num papel destinado antes a Gary Cooper. O jovem grandalhão de 21 anos de idade e quase dois metros de altura não se saiu muito bem nessa experiência e então voltou aos pequenos papéis em faroestes baratos até 1939, quando John Ford lhe ofereceu o papel de Ringo Kid em No Tempo das Diligências.
Bem que ele tentou recusar o papel - é muito complexo para mim, argumentou. Mas Ford insistiu e ele acabou aceitando. No Tempo das Diligências foi considerado uma obra-prima pelos críticos e ajudou Wayne a decolar definitivamente em sua carreira. Dentro e fora da tela, passou a ser considerado como a personificação do típico herói americano: digno, justo e sincero. Mas sua vida também foi marcada por algumas contradições, como revela Garry Wills no recente livro John Waynes America, ainda a ser lançado no Brasil.
Anticomunista ferrenho, chamou de molengas os jovens que se recusaram a servir no Vietnã, mas ele próprio se recusou a servir na 2ª Guerra Mundial. E, apesar de ter passado a maior parte de sua carreira montado em cavalos, odiava esses animais. Wayne era cauteloso com a sua pessoa, não aceitava nada que pudesse colocá-la em risco, escreve Willis. Recusou-se a fazer um papel de covarde num filme de Howard Hawks. Recusou-se, também, a alvejar um homem pelas costas numa produção dirigida por Don Siegel. Ele podia ser o vilão, mas não o fraco.
Minha vida com DukeO ator foi contemplado também com outro livro, lançado em 1987: John Wayne: Minha Vida com Duke, escrito por sua terceira mulher, a peruana Pilar Palette, com quem teve três filhos (Aissa, Ethan e Marisa). Antes, em 1933, fora casado com Josephine Saenz, filha do cônsul dominicano e com a qual teve os filhos Mike, Tony, Patrick e Melinda. Divorciaram-se em 1944 e, dois anos depois, Wayne casou-se com a cantora e dançarina mexicana Esperanza Bauer. A separação veio em 1953. Wayne teve sete filhos e 20 netos, e foi eleito o superastro da década, em 1969.
Em seu livro, Pilar contou algumas particularidades sobre o ator. Por exemplo: ele gostava de jogar xadrez, bridge e gamão e de assistir aos jogos de futebol pela TV. Também era chegado a grandes festas e não dispensava um bom conhaque ou um cigarrinho. Era um homem para quem a família tinha grande importância, afirma Pilar.


