Há 90 anos, no dia 26 de maio de 1907, nascia o pequeno Marion Michael Morrison, na cidade de Winterset, Estado de Iowa (EUA). Cinco anos depois, a família mudou-se para a Califórnia, onde comprou um rancho à beira do deserto do Mojave, e ali Marion e seu irmão Bob aprenderam a montar a cavalo. Quando começou a estudar no ginásio, o garoto ganhou um oportuno
apelido - Duke -, já que Marion não soava com muita masculinidade.
Sonhava primeiro em ser advogado, depois em ser marinheiro. Mas seus planos mudaram quando ele conheceu o cineasta John Ford, que o incentivou a se tornar ator e ofereceu um papel em ‘‘Mother Machree’’ (Minha Mãe), em 1928 - além de um novo nome: ‘‘Você tem cara de...John Wayne!’’, disse o diretor.
vários filmes, estreou finalmente como protagonista de ‘‘A Grande Jornada’’ (The Big Trail), em 1930, dirigido por Raoul Walsh, num papel destinado antes a Gary Cooper. O jovem grandalhão de 21 anos de idade e quase dois metros de altura não se saiu muito bem nessa experiência e então voltou aos pequenos papéis em faroestes baratos até 1939, quando John Ford lhe ofereceu o papel de Ringo Kid em ‘‘No Tempo das Diligências’’.
Bem que ele tentou recusar o papel - ‘‘é muito complexo para mim’’, argumentou. Mas Ford insistiu e ele acabou aceitando. ‘‘No Tempo das Diligências’’ foi considerado uma obra-prima pelos críticos e ajudou Wayne a decolar definitivamente em sua carreira. Dentro e fora da tela, passou a ser considerado como a personificação do típico herói americano: digno, justo e sincero. Mas sua vida também foi marcada por algumas contradições, como revela Garry Wills no recente livro ‘‘John Wayne’s America’’, ainda a ser lançado no Brasil.
Anticomunista ferrenho, chamou de ‘‘molengas’’ os jovens que se recusaram a servir no Vietnã, mas ele próprio se recusou a servir na 2ª Guerra Mundial. E, apesar de ter passado a maior parte de sua carreira montado em cavalos, odiava esses animais. ‘‘Wayne era cauteloso com a sua pessoa, não aceitava nada que pudesse colocá-la em risco’’, escreve Willis. ‘‘Recusou-se a fazer um papel de covarde num filme de Howard Hawks. Recusou-se, também, a alvejar um homem pelas costas numa produção dirigida por Don Siegel. Ele podia ser o vilão, mas não o fraco’’.
‘‘Minha vida com Duke’’O ator foi contemplado também com outro livro, lançado em 1987: ‘‘John Wayne: Minha Vida com Duke’’, escrito por sua terceira mulher, a peruana Pilar Palette, com quem teve três filhos (Aissa, Ethan e Marisa). Antes, em 1933, fora casado com Josephine Saenz, filha do cônsul dominicano e com a qual teve os filhos Mike, Tony, Patrick e Melinda. Divorciaram-se em 1944 e, dois anos depois, Wayne casou-se com a cantora e dançarina mexicana Esperanza Bauer. A separação veio em 1953. Wayne teve sete filhos e 20 netos, e foi eleito o superastro da década, em 1969.
Em seu livro, Pilar contou algumas particularidades sobre o ator. Por exemplo: ele gostava de jogar xadrez, bridge e gamão e de assistir aos jogos de futebol pela TV. Também era chegado a grandes festas e não dispensava um bom conhaque ou um cigarrinho. ‘‘Era um homem para quem a família tinha grande importância’’, afirma Pilar.

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