Hollywood criou, junto com a indústria do cinema, a era dos astros e estrelas. Nos anos 30, quando o cinema se tornou falado, numa época em que o público, especialmente o norte-americano, enfrentando a terrível depressão econômica, procurava e precisava de heróis e mitos, o cinema os criou para eles. Mais importantes que os estúdios ou os diretores e produtores, eram eles os que atraíam o público, os que faziam os espectadores delirar, aqueles cujas vidas eram acompanhadas com a mesma atenção despertada por seus filmes. Isto continuou também nos anos 50, até que o final da era dos grandes estúdios modificou quase que a estrutura do cinema. Sem dúvida, os astros e estrelas ainda continuam, seus nomes representam chamariz. Entretanto, havia uma aura quase mística a cercar aqueles grandes monstros do cinema durante a época dos estúdios, Metro, Warner, Paramount, RKO, entre outros.
Muitos dos grandes nomes de então conseguiram superar o tempo e até hoje são conhecidos e mesmo idolatrados. Humphrey Bogart e Laureen Bacall, esta ainda ativa, Fred Astaire, Gene Kelly, Ava Gardner, estes são nomes que persistem e são lembrados, seus filmes ainda são reexibidos e existe uma platéia sempre cativa disposta a vê-los. ‘‘Casablanca’’, por exemplo, em preto-e- branco, com Bogart e Ingrid Bergman, mantém atualmente o mesmo atrativo da época em que foi lançado.
Já outros astros, que à sua época eram idolatrados, estão quase esquecidos. Hoje, 15 de novembro, se completam 40 anos da morte de Tyrone Power. Embora já no ocaso da carreira, Tyrone ainda estava trabalhando e morreu durante as filmagens de Salomão e a Rainha de Sabá (foi substituído no filme por Yul Brynner, que havia criado um estilo de rei, ao fazer ‘‘O Rei e Eu’’).
Poucos são os que lembram Tyrone. Mas, em seu tempo, estrelou muitos sucessos, provocou suspiros incontáveis no escurinho do cinema, pelo mundo todo. Foi o Zorro, em uma antiga versão de ‘‘A Máscara do Zorro’’, um toureiro em ‘‘Sangue e Areia’’, um canalha em ‘‘Testemunha de Acusação’’, uma espetacular adaptação de um romance de Agatha Christie, um band leader em ‘‘Melodia Imortal’’, a versão da vida do compositor e intérprete Eddie Duchin. Foi um galã, na acepção do termo usado por Hollywood.
Curioso é perceber que os críticos o consideram limitado, mas fazem questão de destacar seu trabalho tanto em ‘‘Melodia Imortal’’ como em ‘‘Testemunha de Acusação’’, dois (ao que parece os únicos) filmes de Tyrone existentes em vídeo. Se alguém quiser conferir um astro daquela época, procure nas locadoras. Mesmo antigos, aqueles filmes revelam um pouco de um dos muitos mitos formados por Hollywood.

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