Há 30 anos morria Chatô
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sexta-feira, 03 de abril de 1998
Cleide Cavalcante Agencia Estado 
ReproduçãoAssis Chateubriand: vida já foi tema de livro e minissérie e será transformada em filmeHá 30 anos, no dia 4 de abril, morria o jornalista e diplomata Assis Chateaubriand. Sua vida, contada numa polêmica biografia escrita por Fernando Morais, virou minissérie e vai ser adaptada para o cinema. O jornalista construiu o que foi considerado o maior império de comunicacões do País. Entre tantas atividades que exerceu, foi catedrático, colecionador, empresário, advogado e político, mas era como repórter que gostava de ser conhecido.
Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo nasceu na cidade de Umbuzeiro, na Paraíba, em 5 de outubro de 1892. Pertencia a uma família humilde, por isso teve de começar a trabalhar bem cedo para ajudar nos gastos domésticos. Aos 14 anos de idade já demonstrava traços do grande comunicador do futuro, trabalhando no Diário de Pernambuco. Paralelamente, cursou a faculdade de Direito, se formando aos 23 anos.
Em 1913, já era redator-chefe do jornal. Em 1917, ambicionando novos rumos profissionais, decidiu se mudar para a então capital do País, Rio de Janeiro. A idéia teve sucesso, em pouco tempo ele seria contratado para ocupar o cargo de consultor jurídico do ministério das Relações Exteriores, estando presente nos principais acontecimentos do Brasil durante décadas. Acumulou o cargo, escrevendo artigos sobre política internacional para alguns jornais.
Entretanto, Chatô, como era conhecido pelos mais íntimos, nunca escondeu sua verdadeira paixão, o jornalismo. Também gostava do poder que conquistava com facilidade nos corredores da política. Se tornou influente e respeitado. Entretanto, sua personalidade polêmica também despertava inimizades e críticas. Foi chefe de redação do Jornal do Brasil e correspondente do jornal argentino La Nacion. Fora isso, também exerceu o cargo de advogado da Light.
Em 1924, o jornalista dava o primeiro passo na construção de seu poderoso império com a compra do Jornal. Quando morreu, aos 75 anos, Chateaubriand era dono de um patrimônio que incluía 40 jornais, 28 estações de rádio, 18 emissoras de tevê, 12 revistas infantis, agências de notícia e de publicidade, nove fazendas, indústrias químicas, laboratórios farmacêuticos, além de um castelo na Normandia.
Em 1941, lançou a bem-sucedida Campanha Nacional de Aviação, com ela conseguiu arrecadar cerca de 2,5 milhões de dólares, dinheiro que ajudou na criação de aeroclubes em todo o território nacional. Com Pietro Bardi, fundou o Museu de Arte de São Paulo - MASP, em 1947. Dois anos depois, outro grande passo na vida do jornalista, a inauguração da TV Tupi de São Paulo, época em que uma de suas revistas, O Cruzeiro, batia recordes de vendagem, cuja tiragem chegou aos 800 mil exemplares.
Os Associados de Chateaubriand chegaram a ter mais de oito mil funcionários. Na década de 50, o jornalista já tinha adquirido grande destaque social, principalmente. Sem se desligar da política, elegeu-se senador duas vezes, pela Paraíba e pelo Maranhão. Também foi embaixador do Brasil. Em 1954, ele foi eleito para a Academia Brasileira de letras, na vaga de seu grande amigo, Getúlio Vargas.
A imprensa internacional noticiou a morte de Chateaubriand, o comparando ao Cidadão Kane do cinema. No entanto, para o autor de Chatô, o Rei do Brasil, isso foi um grande erro. Seu império em meios de comunicação foi quase três vezes maior que o do americano W.R. Hearst, que inspirou o filme de Orson Welles. E seu poder político também, observou.


