ReproduçãoIsaura Bruna e Amilton Fernandes, em ‘‘O Direito de Nascer’’O ator Amilton Fernandes fez muita gente chorar, nos anos 60, quando interpretou o dr. Albertinho Limonta numa das novelas de maior sucesso da tevê - ‘‘O Direito de Nascer’’, do cubano Félix Caignet. E fez milhares de fãs chorarem novamente, quando morreu há 30 anos, no dia 7 de abril de 1968. Depois de sofrer um acidente de carro, o maior ídolo da televisão na época, então com 39 anos, agonizou durante 70 dias no hospital.
Foram nove meses de um estrondoso sucesso na Tupi, entre 64 e 65. O dramalhão apresentado primeiro no rádio, nos anos 50 e adaptado para a televisão conta a história de Albertinho, filho da mãe solteira Maria Helena (Nathália Timberg), que, após dar à luz, envergonhada, resolve ir para um convento. O garoto, renegado pelo avô, o perverso Dom Rafael (Elísio de Albuquerque), foi então criado pela empregada da família, a negra Dolores (Isaura Bruno). Por ironia, depois de se formar médico, Albertinho salva o avô que o renegou. Também por ironia, acaba se apaixonando por Isabel Cristina (Guy Loup), sem saber que ela é neta de Dom Rafael.
Tudo era previsível na história mas, mesmo assim, o horário da novela era sagrado. Os cinemas ficavam vazios entre as 20 e 22 horas. Em sete Estados brasileiros, cerca de 900 mil televisores eram sintonizados na emissora que apresentava a novela. A audiência era calculada em cinco milhões de telespectadores, um fenômeno para a época. Psicólogos procuravam explicar as razões da histeria coletiva.
O drama do filho bastardo comovia o País e muitas mães batizaram seus filhos com o nome de Albertinho Limonta. Mas houve, no entanto, quem amaldiçoasse tanto sucesso, como o então presidente do Vasco da Gama, que teve um enorme prejuízo quando seu clube jogou contra o Benfica de Portugal, num Maracanã vazio - na hora da novela.
Os atores, principalmente Amilton Fernandes, mal podiam sair às ruas, por causa do assédio dos fãs. O último capítulo foi transmitido ao vivo, no Macaranãzinho lotado, no dia 16 de agosto de 1965. A multidão, em delírio, gritava o nome de seus ídolos e muita gente chegou a desmaiar de emoção. Três anos depois, quando fazia sucesso em ‘‘Sangue e Areia’’, de Janete Clair, Amilton Fernandes sofreu o acidente fatal. Mais de cinco mil pessoas acompanharam o enterro, em meio a cenas de histerismo e a muitos desmaios.
Em 78, foi ao ar a segunda versão de ‘‘O Direito de Nascer’’, adaptada por Teixeira Filho e Carmen Lídia, quando a Tupi já estava em crise. Eva Wilma foi deslocada de outra novela para interpretar a freira Maria Helena. Carlos Augusto Strazzer, que fez Albertinho Limonta, também morreu jovem. Agora, o SBT prepara a estréia da terceira adaptação da história, com Jorge Pontual no papel principal. Guilhermina Guinle faz a irmã Maria Helena e a ex-frenética Dudu Moraes será Mamãe Dolores. Dizem os saudosistas que, por mais que se esforce, dificilmente Pontual conseguirá repetir o sucesso do protagonista da primeira adaptação para a tevê, mesmo porque os tempos agora são outros e a concorrência em matéria de ‘‘mexicanização’’ é grande.

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