Wilmar Klein
Se estivesse viva, a estrela de ‘‘O Mágico de Oz’’ e mãe de Lisa Minelli teria completado 77 anos no último dia 10. A morte, porém, colheu-a aos 47, num hotel de Londres, onde estava hospedada com seu quinto marido. O dia: 22 de junho de 1969. Causa da morte: uma dose excessiva de barbitúricos. Mas há uma outra história por trás disso, onde a ‘‘usina de sonhos’’ que alçou Judy Garland ao estrelado faz o papel de vilã.
Nascida em 1922, com o nome de Ethel Frances Gumm, Judy era a mais nova das três filhas de um casal de artistas e, aos dois anos e meio, já trabalhava com os pais e as irmã em pequenos espetáculos de teatro musicado. O contato com o cinema também aconteceu cedo: o pai, em 1924, empregou-se como gerente de um cinema nos arredores de Los Angeles, e a garotinha passava lá a maior parte do tempo, assistindo aos filmes.
Graças ao empenho da mãe, que queria para as filhas fama e fortuna, Judy conseguiu fazer, juntamente com as irmãs, uma ‘‘ponta’’ no curta-metragem ‘‘The Medlin Kiddles’’. Tinha então oito anos de idade. Em 1932, é inscrita na Escola de Crianças Profissionais de Miss Lawlor, onde conhece um garoto que no futuro seria o seu parceiro nos musicais da Metro: Mickey Rooney. Por essa época, a jovem atriz formava com as irmãs o trio The Garland Sisters (nome dado pelo produtor George Jessel). Quanto ao nome Judy, com o qual a garota Ethel Frances compôs o seu pseudônimo artístico, foi escolhido por causa de uma canção homônima, assinada por Hoagy Carmichael, que ela apreciava muito.
Aos 13 anos, Judy é chamada para fazer um teste na Metro. Bastou que a secretária do tycoon Louis B. Mayer a ouvisse para que fosse imediatamente escalada. Judy faz então sua estréia oficial na tela, no curta ‘‘Every Sunday’’, contracenando com Deanna Durbin. Vieram depois os longas ‘‘Loucuras de Estudante’’ (realizado no breve período em que foi emprestada à Fox), onde atuou com Betty Grable e Tony Martin, ‘‘Melodias da Broadway’’, ‘‘Diabinho de Saias’’, ‘‘Um Marido para Mamãe’’ e, formando par com Mickey Rooney, ‘‘O Menino de Ouro’’ e ‘‘O Amor Encontra Andy Hardy’’.
Em 1939, protagoniza o seu maior sucesso e um dos melhores musicais de todos os tempos: ‘‘O Mágico de Oz’’. Judy, no entanto, não foi a primeira opção para o filme: a Metro queria Shirley Temple para o papel de Dorothy. Mas Temple era contratada da Fox, que recusou-se a ceder sua maior estrela. Garland, beneficiada com essa recusa, soube aproveitar a chance: além de abiscoitar um Oscar especial por sua atuação, tornou-se uma das dez maiores bilheterias do cinema americano ao longo dos anos 40.
O sucesso, porém, cobrou um preço alto da atriz. Ela própria contava que, na época em que trabalhava com Rooney, ambos eram obrigados a ‘‘se empapuçar’’ de pílulas para enfrentar o ritmo de trabalho imposto pela MGM, que às vezes estendia-se por mais de 72 horas seguidas. Judy acabou se tornando dependente de estimulantes, álcool e outras drogas, que apressaram seu fim. Hollywood pouco se importou e continuou a explorá-la até o bagaço. Ironicamente, o último filme de Garland, realizado na Inglaterra, chamava-se ‘‘Na Glória, a Amargura’’.
Judy atuou em 23 filmes e foi infeliz no casamento. Seus maridos, pela ordem, foram o compositor David Rose, o diretor Vincent Minelli (pai de Liza), o produtor Sid Lufti, Mark Herron e Mickey Deans. Foi também notável como cantora, dançarina e show woman, e suas gravações fonográficas, remasterizadas, continuam a ser relançadas. Sua interpretação de ‘‘Over the Rainbow’’, que tornou-se o seu tema para o resto da vida, é eterna. Talvez no dia 22 de junho de 1969 Judy Garland tenha, finalmente, encontrado o seu arco-íris ...

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