Nascido na Portela, Antônio Candeia Filho lutou com unhas e dentes pelas tradições da escola e divulgação do samba de raiz. A dedicação do mestre Candeia pela cultura popular dos morros do Rio de Janeiro foi determinada. Quando suspeitou que a Escola estivesse prejudicando a espontaneidade de seu samba em função de esquemas comerciais, retirou-se de cena. Candeia morreu há 20 anos, em 1978, de infecção renal.
O berço já o batizara no samba. A Portela sempre teve tradição, ou fama, de fomentar um samba ‘‘puro’’, livre de influências mercadológicas ou estrangeirismos. Lá, Candeia também criou seu ideal sociológico, trabalhando pela dignidade dos habitantes do morro, pela preservação da cultura afro-brasileira e contra o preconceito racial.
Nascido em 1935, aos 15 anos já se apresentava na Escola de Samba. Aos 18 aparecia como compositor de samba-enredo, e se tornou conhecido quando Elizeth Cardoso incluiu ‘‘Minhas Madrugadas’’ em seu repertório, composta ao lado de Paulinho da Viola.
Sua vida teve contornos trágicos. Paralelamente à carreira de sambista, Candeia era policial. Em meados da década de 60, o compositor levou três tiros durante uma ação, e perdeu os movimentos das pernas.
Entre seus sucessos, estão ‘‘O Mar Serenou’’, gravado por Clara Nunes, uma de suas maiores intérpretes. Nos anos 90 o autor foi relembrado por Marisa Monte, com ‘‘Preciso me Encontrar’’. Mas o nome de Candeia não se tornou conhecido do grande público. Além do samba da Portela, Candeia se dedicou também a cirandas, partidos altos, capoeiras, sambas de roda e maculelês.
Sua postura o levaria a conflitos com a escola em que foi criado. O rompimento ocorreu em 1975, quando, em resposta, Candeia criou o Grêmio Recreativo de Arte Negra Escola de Samba Quilombo, em Acari. Além de escola de samba, o Grêmio foi considerado um verdadeiro centro popular de cultura.
Com problemas de saúde, Candeia faleceu aos 43 anos, deixando alguns discos gravados, como ‘‘Autêntico Samba’’, de 1970; ‘‘Samba de Roda’’, de 1975 e ‘‘Luz da Inspiração’’, de 1977. A vida do compositor foi pesquisada por João Baptista Vargens, e resultou no livro ‘‘Candeia - Luz da Inspiração’’, lançado pela Martins Fontes em conjunto com a Funarte.

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