Há 100 anos Freud explicava os sonhos
Há 100 anos Freud explicava os sonhos
Conferências, exposição e filmes homenageiam o centenário do livro A Interpretação dos Sonhos, em São Paulo
ReproduçãoFreud usou os seus próprios sonhos para analisar no livro que fundou a história da psicanálise
Nelson Sato
Um arsenal de críticas desabou sobre a obra de Sigmund Freud nesta década, mas o Brasil parece não ter entrado nesse debate.
As coisas podem começar a mudar a partir de hoje, quando um grandioso evento comemora em São Paulo os 100 anos de lançamento da obra A Interpretação dos Sonhos, publicada pelo criador da psicanálise em 1899. O colóquio, batizado A Ciência dos Sonhos, será realizado no Museu da Imagem e do Som e prossegue até o dia 28 deste mês reunindo conferências, mesas-redondas, exposições e exibição de filmes.
O elenco de palestrantes inclui nomes de várias áreas do saber desde o psicanalista Renato Mezan a convidados curiosos como o astrólogo Oscar Quiroga. Paralelamente às falações, uma sala estará aberta ao público com painéis e estandes reunindo pinturas, desenhos, histórias em quadrinhos e livros de artistas que foram inspirados pelo onirismo e suas interpretações. Também está programado um ciclo de cinema no local, com entrada franca como as demais atividades da jornada.
O sonho, dissecado hoje por outras disciplinas graças à descoberta dos neurotransmissores, apareceu como objeto da ciência com Freud. Até ele, desde a antiguidade, constituía-se em importante fonte de conhecimento e orientação através de oráculos e profecias. Freud transformou-o em instrumento de acesso ao inconsciente, um instrumento de autoconhecimento, com um significado que está associado às experiências de cada um, dependendo de sua história emocional.
Por isso, obviamente os psicanalistas estarão em maioria nas conferências das duas próximas semanas no Museu da Imagem e do Som. Mas pela abrangência do tema em foco não faltarão representantes do cinema, artes plásticas, educação, antropologia, literatura, esoterismo, ocultismo, telepatia e religião durante os debates.





