O baú da psicodelia foi garimpado outra vez. A gravadora EMI acaba de lançar no país a coletânea ‘‘Wouldn’t You Miss Me? – The Best of Syd Barret’’, que reúne músicas pinçadas de uma compilação e dos dois únicos álbuns registrados pelo fundador do Pink Floyd.
As faixas oscilam entre baladas ácidas e canções folk – muitas delas assemelhando-se às composições aparentemente disciplicentes da banda Pavement, pilar do rock alternativo americano nos anos 90. O artista surge pálido em seu trabalho-solo, longe dos delírios instrumentais que marcariam a trajetória do Pink Floyd, o primeiro grupo a receber o rótulo de psicodélico pela imprensa inglesa.
Syd Barret virou ‘‘mártir’’ e ‘‘gênio maldito’’ após sucumbir aos excessos do LSD e sumir do mapa musical. Criou o Pink Floyd com amigos de infância e colegas da faculdade de arquitetura. Ao lado de Roger Waters, Rick Wright e Nick Mason, gravou o álbum ‘‘The Piper At Gates of Dawn’’ (1967) e participou de três faixas do segundo ‘‘A Saucerful os Secrets’’ (1968).
No intervalo de lançamento entre um disco e outro, tornou-se um incômodo para os demais integrantes atrapalhando turnês e sessões de estúdio da banda. Durante os shows, ele tocava interminavelmente a mesma nota e nas entrevistas pela televisão encarava seus inquisidores com olhar vazio e sem dizer uma única palavra.
A essa altura, o guitarrista David Gilmour já o substituía passando depois a asssumir seu posto. Após largar o Floyd, Barret virou lenda. Boatos e informações desencontradas circularam durante anos. Na última vez que se ouviu falar do artista, dizia-se que ele estava gordo e careca vivendo com a mãe em Cambridge onde passava os dias cuidando do jardim e assistindo televisão.
Barret chegou a gravar dois álbuns em 1970 – ‘‘The Madcap Laughs’’ (produzido por Roger Waters e David Gilmour) e ‘‘Barret’’ (com Gilmour e Rick Wright tocando e co-produzindo). Em 1974 ele tentou voltar ao estúdio, mas seu comportamento de lunático assustou a todos ao entrar e sair das sessões com uma guitarra sem cordas na mão.
Algumas sobras de estúdio dos dois primeiros discos foram reunidas ainda em 1988 (quando o culto ao seu nome crescia em Londres) no LP ‘‘Opel’’, do qual a coletânea extrai a faixa título e uma versão instrumental de ‘‘Golden Hair’’. A compilação que chega agora ao Brasil revisa todo o seu repertório, trazendo como novidade a inédita ‘‘Bob Dylan Blues’’, encontrada numa fita na casa de David Gilmour.

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