Mario CesarTatiana, Flávia e Thalita: garotas acham basquete e outros esportes populares mais violentos do que o tae kwon-doOs garotos começam mais cedo, estimulados pelas lutas que vêem nos filmes de Jean-Claude Van Damme e nos games. As meninas, por sua vez, são levadas às academias conduzidas pela corrente pra frente puxada pelos irmãos, namorados e amigas.
Em Londrina, a prática do tae kwon-do já está igualando os sexos. ‘‘Nos dois últimos anos, as garotas invadiram as academias’’, comprova o atleta e professor Fernando Madureira, que orienta cerca de 500 adeptos espalhados por várias quadras da cidade.
O tae kwon-do, luta marcial oriunda da Coréia, já foi modismo no Brasil. Agora, parece, vai aos poucos se incorporando como uma das atividades saudáveis na agenda esportiva da garotada. A inclusão da luta nas Olímpiadas do ano 2000 ainda não provocou nenhuma nova corrida ao aprendizado de murros, chutes e golpes voadores.
Quem aderiu recentemente em Londrina, foi por outro motivos. ‘‘Eu queria fazer um esporte diferente, estava cansada de ginástica e natação’’, conta Tatiana Puls, 21 anos, que começou a praticar há dois meses na academia do Country Club.
Junto com ela entrou Thalita Mota Pinheiro, 17 anos. ‘‘Resolvi fazer por influência do meu irmão’’, diz. ‘‘Eu achava legal quando ele ficava em casa mostrando as técnicas de defesa’’. Foi também por causa do irmão que Flávia Sella, 14 anos, decidiu vestir o quimono.
‘‘Pode parecer brincadeira, mas eu entrei porque meu irmão já praticava e vivia me batendo em casa. Queria aprender os golpes para me defender dele’’, revela. Mas Flávia está num estágio mais avançado na academia, já com dois anos exercitando mãos, pés e o auto-controle.
Pan-americano Os treinos acontecem três dias por semana, com aulas de uma hora e meia. Como em todas as lutas marciais, há todo um cerimonial antes do início das atividades na quadra que incluem cumprimentos ao mestre e um ‘‘juramento’’ de respeito às regras de conduta.
Ao contrário do que pensam muitos pais, o tae kwon-do - segundo as meninas - é menos violento do que muitos esportes aprovados pelo consentimento geral. ‘‘Antes eu jogava basquete e saía sempre machucada, o que não acontece nos treinos de tae kwon-do’’, compara Thalita.
‘‘O tae kwon-do exige coordenação, disciplina, reflexo e concentração’’, explica Flávia. ‘‘A força física não conta tanto, se você não tem a técnica para tirar o ponto de equilíbrio do oponente para golpeá-lo’’, lembra Tatiana. ‘‘Com agilidade e esperteza, uma pessoa baixinha e magra é capaz de vencer qualquer outra que seja mais forte’’, completa Thalita.
Uma ótima chance para comprovar o que elas dizem está para acontecer em Londrina. É o Pan- americano Open - V Campeonato Internacional de Tae kwon-don, que será realizado nas próximas sexta, sábado e domingo no Ginásio Moringão.

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