O rock vai aos poucos decolando no rádio paranaense. Um novo ciclo de guitarras parece se anunciar no dial com a consolidação da Rede Rock no Estado e a ampliação de programas dedicados ao gênero na Educativa de Curitiba. No Rio de Janeiro, a volta da célebre Fluminense FM reforça a tendência em nível nacional.
''O rock é o estilo musical preferido na faixa etária entre 18 e 35 anos. Isso foi constatado em pesquisas'' diz Rodrigo Otávio G. Valente, gerente comercial da rádio 96 Rock. A conclusão levou a emissora curitibana a estabelecer a primeira rede de transmissão no país voltada para a execução da vertente.
A Rede entrou no ar em caráter experimental no segundo semestre do ano passado integrando as estações Verdes Campos FM/93.1 (Cascaval), Globo FM/94.5 (Apucarana), Vila Velha FM/94.7 (Ponta Grossa) e Studio 100 FM/100.5 (Umuarama). Em março, a iniciativa ganhou selo oficial.
A partir de setembro, a própria 96 passa a fazer parte da integração via satélite, já que vem atuando apenas como matriz no fornecimento da programação. Há ainda a possibilidade de uma emissora de Londrina fazer parte da rede, mas nada está definido. A nova grade inclui programas regulares, especiais e informativos diários.
O primeiro tópico abrange Dinossauros do Rock (grandes nomes dos anos 50, 60 e 70), Expresso do Rock (lançamentos nacionais e internacionais), Central do Brasil (rock nacional), Rock de Primeira (clássicos da história do rock) e Alta Voltagem (últimas tendências mundiais).
Entre os especiais figuram Rock and Roll Animal (rock pesado, às segundas), Radio Blues (às terças), Conexão Jamaica (reggae, às quartas), Por dentro da Onda (surf music, às quintas), Black Music (funk, soul, rap e r&b, às sextas) e Música Eletrônica (aos sábados).
O conjunto de emissoras conta ainda com o suporte do Geração Pedreira, projeto que tem por objetivo incentivar e valorizar a produção cultural paranaense através de ações como o Expresso Geração Pedreira que levou bandas curitibanas a turnês por todo o Paraná.
A rádio Educativa também mudou sua programação esta semana com a expansão de horários e dias dedicados às guitarras. A série ''Todos os Caminhos do Rock'', projeto de 14 programas roqueiros que ia ao ar nas noites de sexta-feira (das 20 às 3 horas), foi extinta desmembrando-se pela grade noturna da emissora. Não haverá mais um único bloco de sete horas dedicados ao rock.
Agora o ouvinte poderá ouvir sua banda favorita nos demais dias da semana, a começar por segunda-feira com o ''Mundo Pop'' (23h), criado e produzido por Horácio de Bonis. O rock progressivo é a atração das quartas-feiras no programa ''Art Rock'' (à meia-noite). Também na quarta, o pós-rock é o destaque do ''Galáxia Moog'' (0h30). No mesmo dia, a música eletrônica e industrial garantem a audiência do ''Café Binário'' (1h).
Na quinta-feira, Rui Lima apresenta o ''Rock in the 50's'' (0h30). Em seguida, Marco Stecz mostra as novas tendências do pop mundial em ''Último Volume'' (1h). Fechando a madrugada, Benedito Cesar passeia pelos clássicos em ''O Peso do Rock'' (1h30). Na sexta-feira, a jornada roqueira começa com o programa ''Ciclojam'' (23h), no qual Cyro Ridal convida bandas curitibanas para tocar ao vivo no estúdio.
Na sequência, Adriane Perin entrevista bandas e artistas da cena local em ''Piracema'' (0h). Em seguida, os integrantes dos Catalépticos mostram o melhor do psychobilly apresentando o programa ''Transylvania Express'' (0h). Completando a grade de sexta, Carlão de Oliveira seleciona releituras musicais em ''Reversões'' (0h30). No sábado, Philip Rosseto garimpa rocks depressivos em ''Melancholic Way'' (1h).
Em Londrina, a rádio Folha FM tem acompanhado o movimento dando prioridade para o pop/rock. ''Isso, na verdade, vem de dois anos para cá quando diminuímos a execução de dance e baladas'' diz Márcio Rocha, diretor artístico da emissora. A Universidade FM também abriu espaço para vários programas especializados em rock, especialmente aos sábados.
No Rio de Janeiro, a volta da célebre Fluminense FM reforça a tendência em curso no Paraná. A emissora, rotulada de ''a maldita'', retornou ao dial na semana passada depois de ficar oito anos fora do ar desajolada, primeiro pela Jovem Pan e posteriormente pela Jovem Rio. As guitarras voltaram a levantar audiências.

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