Guitarras mitológicas
Nelson Sato
De Londrina
Aqui, o cetro é das cordas eletrificadas. Três mitos da guitarra reaparecem no último pacote de lançamentos da gravadora Universal: Jimi Hendrix, B.B.King e Stevie Ray Vaughan. O primeiro tocando suas próprias composições; o segundo prestando um tributo à obra do compositor e saxofonista Louis Jordan; e o terceiro na condição de homenageado com suas músicas regravadas pela banda Scuttle Buttin.
Hendrix é o destaque do pacote com o CD Live in Woodstock, que traz a íntegra de seu show no maior festival de rock de todos os tempos, realizado em agosto de 1969. Simultaneamente, chega às lojas também uma fita de vídeo trazendo sua performance no palco, só que com 5 músicas a menos (o CD tem 16).
Woodstock marcou o último verão da década de 60. Foi o ápice da geração flower-power. Hendrix morreria um ano depois de participar do festival. O músico chegou com três dias de antecedência à cidade que abrigou o evento. Não pregou o olho em nenhum momento. Ao final da maratona, depois de sua apresentação, caiu desmaiado de estafa provocando pânico nos bastidores.
Um médico foi chamado e Jimi foi levado de helicóptero a uma suíte de hotel onde finalmente repousou por três dias. Do disco, boa parte do repertório é conhecido, seja através de coletâneas ou da trilha sonora do célebre documentário. O material, contudo, revisita o baú raspando o fundo do tacho e incluindo até as falas que o artista dirigiu à platéia.
No palco, Jimi foi acompanhado por Billy Cox (baixo), Mitch Mitchell (bateria), Juma Sultan (percussão), Larry Lee (guitarra rítmica) e Jerry Velez (percussão). Curioso notar que apesar da intensa exposição ao longo dos últimos 30 anos, a sequência das faixas Voodoo Child (Slight Return), Star Spangled Banner (trazendo o hino nacional americano) e Purple Haze ainda não foi maltratada pela ferrugem.
Não por acaso, Hendrix continua liderando as pesquisas sobre os bambambãs da guitarra. Há uma semana, ele foi proclamado o maior guitarrista do século numa enquete realizada entre músicos pela revista especializada britânica Guitar Magazine. Não é de bobeira também que Stevie Ray Vaughan prestou-lhe uma homenagem regravando Voodoo Child, música incluída no CD Tributo a Stevie Ray Vaughan, onde o grupo Scuttle Buttin reverencia o guitarrista morto em acidente aéreo em 1990.
Se Vaughan como a maioria dos guitarristas surgidos nas décadas de 60, 70 e 80 sofreu influência de Hendrix, é ele quem nos anos 90 tem inspirado a nova geração de blueseiros na qual despontam nomes como Kenny Wayne Shepherd, Mike Welsh, Nathan Cavaleri e Johnny Lang (que esteve no Brasil recentemente participando do Free Jazz Festival).
Neste disco-tributo, a banda Scuttle Buttin evoca os riffs de Vaughan em 16 faixas, duas delas instrumentais. As sacolejantes Empty Arms, Telephone Song e Mary Had A Little Lamb tratam de eternizar o texano para a posteridade. Também com caráter de homenagem, B.B.King chega com um novo trabalho fazendo as honras para a obra do compositor e saxofonista Louis Jordan, que teve prestígio na cena jazzística da Nova York dos anos 30 e 40.
No CD Let The Good Times Roll, mr. King recolhe o virtuosismo e deixa os músicos de sua banda dialogarem entre si nos arranjos, com destaque para o piano de Dr. John e a seção de metais. Na faixa Somebody Dove Changed The Lock On My Door, ele praticamente desliga a guitarra e abre espaço para o trompete e os teclados. A abordagem do disco é jazzística. Aqui, desaparece o B.B.King manjado.Chegam às lojas CDs de Jimi Hendrix, B.B.King e um tributo a Stevie Ray Vaughan
ReproduçãoReproduçãoJimi Hendrix: disco traz a íntegra de sua partipação em WoodstockReproduçãoReproduçãoB.B.King: discrição na guitarra em abordagem jazzísticaAgência EstadoReproduçãoStevie Ray Vaughan, principal inspirador da nova geração de blueseiros, ganha disco em sua homenagem





