Guitarras fora de controle
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de setembro de 1998
Nelson Sato 
Bandas com vocais em pânico e guitarras descontroladas crescem em árvores nos Estados Unidos. Mas quando caem dos cachos, só uma ou outra consegue se levantar e imprimir uma marca no congestionado meio musical independente americano. A banda Superchunk, que está em turnê pelo Brasil, insiste na cena há quase dez anos ostentando na bagagem seis álbuns, duas coletâneas de singles e cinco EPs (minielepês).
A banda é de Chapel Hill, cidade universitária do Estado da Carolina do Norte, onde seus integrantes fundaram um selo - Merge - para lançar seus próprios discos e de colegas de cena. Cultuada pela crítica, a Superchunk chegou a ser cotada no começo da década como o próximo estouro alternativo durante o auge da onda grunge puxada pelo Nirvana.
Não chegaram a tanto, mas a badalação serviu para apresentar a banda para o resto do mundo. Em Londrina, fãs de primeira hora trocam há muito tempo correspondências com o quarteto. Na própria terra, Superchunk ficou famoso com a canção Slack Motherfucker, transformada em hino pelas college radios e eleita no ano passado pela revista CMJ (promotora do New Music Senimar, o mais importante festival de novas bandas dos EUA) como uma das dez músicas mais representativas do rock independente americano.
Superchunk faz guitar rock urgente com apelos melódicos. Ralph McCaughan, núcleo do grupo ao lado da baixista Laura Ballance, canta como um moleque aflito. Já lançou um disco de baladas com seu projeto paralelo Portastatic, embora na banda-matriz prefira disparar acordes sujos e acelerados.
O último trabalho é do ano passado. Intitulado Indoor Living, o álbum desapontou parte da crítica, que viu ali uma amaciada na aspereza quase punk do grupo. A turnê brasileira foi bancada pela loja-selo-distribuidora Motor Music, de Belo Horizonte. O show de hoje, em Maringá, acontece no Bar Dalata com abertura da banda local Hellenbisker. Já em Londrina, o barulho rola no Mecenas Bar com abertura da banda Grenade (um projeto solo de Rodrigo Guedes, vocalista do Killing Chainsaw) e do Magic Ballon.
Show com a banda Superchunk. Hoje, às 23 horas, no Bar Dalata, em Maringá (Avenida XV de Novembro, 1.008). Ingressos a R$ 10,00. Amanhã em Londrina no Mecebas Bar (Avenida Arthur Thomas, 325). Ingressos a R$ 12,00. Pontos de venda: Posto Com-tour e loja Brux.


