Guitarra e metais NA PRESSÃO
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sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Um trio de metais e uma banda com guitarra, baixo e bateria acompanham o cantor e compositor Lenine no show que ele faz hoje no Iate Clube de Londrina. Nada de ''banquinho e violão'', como se cogitou por aí ao se saber que o artista viria à cidade com a turnê do CD/DVD ''Acústico MTV''.
Lenine sobe ao palco às 22 horas. O repertório traz canções como ''Hoje Eu Quero Sair Só'', ''Na Pressão'', ''A Ponte'', ''Dois Olhos Negros'' e ''Paciência''. A apresentação faz parte do projeto ''Eu Faço Cultura'', idealizado pelo Movimento Cultural do Pessoal da Caixa, vinculado à Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (FENAE).
A programação, iniciada na quinta-feira, incluiu abertura de exposição e oficinas de fotografia e percussão. O grupo brasiliense SomCaTaDo, convidado do projeto, faz uma pequena participação hoje antes do show de Lenine. O show do cantor pernambucano tem apoio promocional da Folha de Londrina, que está oferecendo cupons-bônus para desconto de 50% no preço dos ingressos.
Para muita gente, a série ''MTV Acústico'' já deu o que tinha de dar. Seu disco gravado no formato, no entanto, recebeu elogios por boa parte da crítica. A que você atribui a boa recepção do projeto?
Lenine - A ''marca'' acústico surgiu nos Estados Unidos direcionada para um público que curtia música pesada, elétrica, rock'n'roll. A idéia era mostrar uma outra versão do trabalho dos artistas, uma versão mais diet, digamos assim. No Brasil, a coisa é diferente. Há uma pluralidade de expressões musicais que não tem a ver com esse processo. No meu caso, achei o convite bacanérrimo porque pude rever canções, rever amigos e trabalhar com artistas das mais variadas escolas musicais e partes do mundo como Julieta Viegas, Iggor Cavalera, o Richard Boná, a Cristina Braga, o Gog, o pessoal da Mantiqueira e a ala de cordas da Orquestra Sinfônica de São Paulo.
A proposta era fugir do formato banquinho e violão?
O termo acústico já é problemático. Semanticamente, não existe nada acústico na medida em que você grava e captura o som usando microfone e plugagem. Eu uso tudo que existe para beneficiar a canção, tudo é ferramenta, do violão à música eletrônica.
Como foi transportar os arranjos do disco para o show?
A grande mudança foi feita por Jessé, que adaptou os arranjos originais para cordas e quinteto de metais para um trio. O próprio Jessé toca trompete e flugehorn, o Sérgio Trombone toca trombone e o Zeca toca sax e flauta. Além deles, a turnê conta com a banda que me acompanha há anos e que é formada por Pantico Rocha (bateria), Júnior Tolstói (guitarra) e Guila (baixo). Essa mudança trouxe um sabor e um colorido novos às canções.
Você lançou dois discos ao vivo na sequência - ''In Cité'' (2004) e ''Acústico MTV'' (2007). Há previsão de lançar um novo álbum de inéditas?
Os dois discos citados são bem diferentes, a única similaridade é o fato de serem registros ao vivo. Para gravar o 'In Cité', tive tempo para pensar as canções e o espetáculo que gerou o CD e o DVD. Grande parte das músicas foi composta para o projeto. Já no caso do 'Acústico MTV', há apenas 4 músicas inéditas. E aí foi mais trabalhoso porque tive que despir e depois revestir as canções. Quanto a um álbum de inéditas, ele é sempre resultado de um processo. Na verdade, a gente nunca começa do nada. A gente está sempre fazendo, assim como a gente nunca termina nada, mas abandona.
Você fez a trilha do espetáculo de dança ''Breu'', do Grupo Corpo, de Belo Horizonte (MG). Como foi a experiência?
Já tinha feito trilhas para espetáculos de teatro, mas dança nunca. Foi maravilhoso. Você tem a possibilidade de observar espacialmente suas músicas, de ver os corpos reproduzindo suas canções. É impactante. Espero que o Rodrigo Pederneiras me convide para outros projetos.
Até quando vai essa turnê do ''Acústico MTV''?
Tem muito chão pela frente por conta do país, que tem extensão continental e em 1 ano não dá para percorrê-lo totalmente. Já levei esse show três vezes ao exterior fazendo apresentações nos Estados Unidos, França, Itália e países do leste europeu como Eslovênia e Lituânia. Daqui duas semanas, vou para o México. Então, essa pulverização de shows fora do Brasil faz com que eu alongue as turnês por aqui para poder ir em todos os lugares.
Você levou cerca de uma década para ter seu trabalho reconhecido pela mídia. A internet, hoje, encurtou esse processo para os novos artistas?
Agora está um pouco mais fácil, apesar das dificuldades de distribuição. Antes tudo era mais fragmentado. E havia um funil nos veículos, mais negócio envolvido. Hoje, a rede possibilita uma exposição mais democrática. E existe um micro-mercado que não existia há 15 ou 20 anos. O criador passou a ter mais autonomia para criar, ele está dando seu grito de independência.
SERVIÇO:
- Show de Lenine
Quando - Hoje, às 22 horas
Onde - Iate Clube de Londrina (Av. Higienópolis, 2.135)
Quanto - R$ 40,00 e R$ 20,00 (meia-entrada para estudantes ou com cupom-bônus da FOLHA) no ponto de venda Ginza. Tel. (43) 3029-1356


