Guinga lança Cheio de Dedos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de dezembro de 1996
Sylvia Colombo Agência Folha 
Quando Carlos Althier de Souza Lima, 46, o Guinga, pensou em gravar Cheio de Dedos a sua idéia era a de fazer uma crônica musical do Rio de Janeiro. O cirurgião-dentista acabou então compondo em cima de velhas fórmulas, tendo o choro como referencial constante.
Homenageou ícones clássicos da cultura popular carioca e incluiu um pouco da modernidade no gênero, tocando ao lado do Nó em Pingo DÁgua - grupo da nova guarda de chorões cariocas que mistura jazz e pop ao repertório. Cheio de Dedos homenageia Jacob do Bandolim, Raphael Rabello, Villa-Lobos e o eterno companheiro de parcerias, Aldir Blanc. Fiz músicas sem letra para que ele letrasse, como está sem tempo, gravei-as assim mesmo e deixo-lhe o desafio, disse o compositor.
Ousadia Das 15 faixas que compõem o disco, só duas são cantadas. Ária de Opereta, interpretada por Ed Motta, e Impressionados, um choro lamurioso que evoca as figuras de Lautrec, Gauguin, Van Gogh, Cézanne, e conta com a participação especial do cantor Chico Buarque. Acho que ousei bastante neste álbum, principalmente nos arranjos, mas o fiz com fundamento e autoridade de quem já passeou muito pelos antigos modelos.
Mas a inspiração do compositor vai além de meros referenciais. A vigília em que passa seu cotidiano é o principal motor de seu trabalho. Tenho medo da morte e não durmo mais do que quatro horas de uma vez. Não quero perder nada que acontece à minha volta, vivo compondo. Perfeccionista, não gosta de retoques em suas músicas. A possibilidade de queimar a composição é de 99%
Cheio de Dedos, segundo ele, completa um caminho que começou a percorrer em Catavento e Girassol, disco com composições suas interpretadas por Leila Pinheiro. Pretendi me afirmar como compositor de música popular brasileira, simplesmente isso, e acho que consegui.


