Simone Mattos
De Curitiba
A professora curitibana Fani Schiffer Durães defende tese de doutorado na Alemanha comparando Goethe a Guimarães Rosa. Estudo se transforma no livro ‘‘O Mito de Fausto em Grande Sertão: Veredas’’
O que há em comum entre o personagem principal de ‘‘Grande Sertão: Veredas’’, de João Guimarães Rosa, e ‘‘Fausto’’, de Johann Wolfgang Goethe? Muita coisa, na opinião da professora, mestre e doutora Fani Schiffer Durães, atualmente pró-reitora de Integração Institucional do Centro Universitário Positivo (UnicenP), em Curitiba. Seu livro ‘‘O Mito de Fausto em Grande Sertão: Veredas’’, editado pela Academia Brasileira de Letras, será lançado hoje, no Rio de Janeiro, e na quinta-feira, em Curitiba.
A questão foi tema de uma tese de doutorado, defendida pela professora curitibana na exigente Albert-Ludwigs-Universitat de Freiburg, na Alemanha. Após conquistar nota máxima e unanimidade da banca julgadora, sua tese se transformou em livro, publicado em alemão pela editora Romanistischer Verlag, há três anos.
‘‘O estímulo para traduzi-lo para o português quem me deu foi Poty Lazzarotto’’, conta emocionada. Quando retornou da Alemanha, após uma longa temporada de estudos que durou quase nove anos, Fani encontrou com o artista plástico, que ao longo de sua carreira ilustrou várias obras de Guimarães Rosa. ‘‘Ele me disse que se eu traduzisse o livro, ele também o ilustraria para mim’’, diz a professora. Para sua tristeza, o artista morreu antes de iniciar o trabalho.
Mas o estímulo permaneceu vivo e fez com que a tradução do livro fosse concluída. O reitor da UnicenP, Oriovisto Guimarães, enviou a obra para a Academia Brasileira de Letras, que a aceitou prontamente. O livro foi incluído na Coleção Afrânio Peixoto. A impressão e o apoio cultural vieram por parte da Gráfica e Editora Posigraf, de Curitiba.
Mas se o caminho parece curto entre a proposta de defender tal tese e a publicação do livro nos dois países, Fani garante que as dificuldades foram muitas. ‘‘Quando apresentei o meu projeto na universidade alemã, a reação dos professores foi cruel: eles disseram que eu teria 1% de chance de ser aprovada com o tema’’, lembra.
A sugestão que recebeu daquele corpo docente foi a de que a obra de Guimarães Rosa deveria ser comparada com a de outro escritor americano, mas jamais com a de um alemão.
A tese, entretanto, já havia sido apresentada por Fani e bem recebida pelos professores curitibanos, quando ela concluiu o mestrado em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Paraná. ‘‘Eu fui em frente, porque estava convicta de minhas idéias’’, explica.
Praticamente sem receber nenhuma orientação dos professores alemães, ela concluiu sozinha a sua tese na Universidade de Freiburg. ‘‘Depois ouvi dizerem que eu havia sido muito corajosa’’, conta. O resultado é que ela foi aprovada com nota máxima, por unanimidade, e convidada, apenas uma semana após defender a tese, a publicar seu livro na Alemanha.

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