Com o consagrado cineasta mexicano como produtor geral, apresentador de cada um dos episódios e até autor da ideia original de alguns deles, “O Gabinete de Curiosidades de Guillermo del Toro”, ambiciosa produção Netflix, compila 8 robustos filmes de média-metragem, rodados por nomes-referência do terror e do fantástico, como Vincenzo Natali, Ana Lily Amirpour, Jennifer Kent e Panos Cosmatos.

São 8 histórias independentes de 38 a 64 minutos cada, a maioria de nível excepcional .

Como funciona a série ? Na tradição de “Alfred Hitchcock Apresenta”, “Além da Imaginação/The Twilight Zone”, “Masters of Horror”e – por que não ? – “Histórias para Não Dormir”, vemos Del Toro no início de cada capítulo explicando a gênese e os elementos centrais da história que será desfrutada a seguir pelo espectador, com mais ou menos ansiedade (vá lá, angústia para alguns). Há monstros, claro, ratos, espiritismo, casas assombradas, invocações diabólicas, referências literárias (muito H.P. Lovecraft) e tudo que possa gerar medo, adrenalina e fascínio para os fãs dessas variantes e daquele visual vintage que Del Toro tanto ama, cultiva e aqui celebra desde seu lugar de mestre de cerimônias e supervisor geral do projeto.

A coisa é muito mais do que uma mera antologia del Toro, já que a gama de vozes criativas reunidas é verdadeiramente impressionante, resultando em algumas peças únicas. Como um exame do horror contemporâneo e uma ode à natureza atemporal de suas muitas preocupações, é uma série de histórias envolventes, com frequências oportunas. E por quê? Justamente porque a visão aguda de Del Toro coloca em cena aquilo que é execrável na natureza humana, o lado sórdido, as ambições, as mesquinharias. Como a natureza fascista no âmago das pessoas, aquele ovo da serpente (aguardem o Pinochio que ele recriou em versão animada e que estreia em 9 de dezembro na mesma Netflix) que teima em assombrar as sociedades.

Com ideias interessantes, cenários evocativos e algumas performances memoráveis espalhadas por suas oito etapas, está sendo um deleite para quem gosta de prolongar os frissons do Halloween. Uma antologia meticulosamente elaborada, minuciosamente escrita e caprichosamente dirigida. É notável a capacidade de utilizar a excelencia técnica. Algumas histórias são melhores que outras, embora o macabro seja elemento de ligação muito forte entre elas. O que fortalece a coesão. O steaming parece o lar perfeito para esta antologia morbidamente decadente.

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