Em meio a uma salva de palmas e o discurso emocionado de um ex-aluno não identificado, foi enterrado, ontem, pela manhã, no cemitério do Cajú, zona portuária do Rio, o corpo do escritor e teatrólogo, Guilherme de Oliveira Figueiredo, irmão do ex-presidente João Figueiredo. Cerca de 100 pessoas, a maioria ligada a literatura e ao teatro, compareceram ao velório. A família esteve toda presente, exceto o irmão João Figueiredo, que segundo amigos, não passava bem.
A mulher do escritor, Alba Figueredo, apesar de bastante emocionada, agradeceu a presença da imprensa, enquanto amigos tentavam esconder a tristeza. ‘‘Ele era uma pessoa muito alegre, e continuou assim mesmo depois de saber que estava doente’’, ressaltou o ex-embaixador do Brasil na extinta União Soviética, Sizinio Pontes Nogueira, amigo desde 1955, quando os dois trabalharam juntos em Nova York. ‘‘Conheci não só ele, mas toda a sua obra no exterior, já que teve duas peças encenadas, ao mesmo tempo, em dois teatros de Moscou’’, acrescentou.
‘‘Oitenta e dois anos até que é uma idade boa de se morrer, o problema é que ele era insubstituível e não vamos encontrar cultura igual em nenhuma outra pessoa de outro lugar do País’’, frisou o irmão Marechal Euclides Figueiredo. A irmã Maria Luíza e o irmão Diogo Figuereido também estiveram no enterro. Os dois filhos e os quatro netos do escritor estavam bastante emocionados e ficaram o tempo todo ao lado do caixão.
‘‘Um homem que amava a palavra e dava um novo sentido a vida quando escrevia’’, destacou o escritor e ex-diretor da revista Civilização Brasileira, Mário da Silva Brito. Amigo de Guilherme Figueiredo desde 1936, quando os dois trabalharam junto na prefeitura de São Paulo. Silva Brito, observou não estar presente membros da Academia Brasileira de Letras. ‘‘Não é para menos, afinal, Guilherme disputou uma cadeira e perdeu para o médico Deolindo Couto, daí resolveu escrever o livro ‘‘As excelências (Como Entrar para a ABL), uma sátira dos imortais’’.
A atriz Natália Timberg também fez referência ao fato do escritor não ter conseguido uma cadeira na ABL. ‘‘Era o mais imortal dos imortais’’, destacou. Também estiveram presentes o ex-governador do Rio de Janeiro, Celso Peçanha, o escritor Antônio Olinto, o contista, Eliezer Burla, o teatrólogo Pedro Bloch, a atriz Tonia Carrero e alunos e professores da Universidade do Rio de Janeiro. Guilherme Figueiredo morreu na madrugada sábado, aos 82 anos, vítima de complicações decorrentes de um acidente vascular.

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