Guia sentimental para turistas
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de julho de 1997
Nelson Sato 
Londres fervilha. A capital cultural do planeta volta a empinar seu trono impulsionada por uma nova geração de protagonistas que, segundo alguns observadores, estariam revivendo a Swinging London de 1967.
A política e a cultura falam a mesma língua com a chegada ao poder do jovem líder do Partido Trabalhista inglês Tony Blair, eleito há pouco mais de 1 mês com a promessa de incentivar as artes. Música, moda, teatro, cinema, literatura, estilo e comportamento já estariam traduzindo os novos ares através de nomes como Oasis, Chemical Brothers, Nick Hornby, Irvine Welsh, Stella Tennant, Iris Palmer, Tom Hollander e todo um batalhão de emergentes talentosos.
Para a maioria dos brasileiros, muitos desses nomes só entraram em seus lares através das reportagens de Beth Lima, a repórter de cultura e comportamento da TV Globo. Como que farejando o clima de ebulição cultural que toma conta da capital inglesa e sua provável influência sobre os conterrâneos, ela escreveu e está lançando agora um guia de Londres reunindo uma série de dicas para os turistas que preferem passeios alternativos a roteiros batidos tipo visitar o Museu Britânico ou a Opera House.
Intitulado Londres - Modo de usar (editora Objetiva), o livro ancora o leitor em lugares charmosos e exclusivos incluindo casas de chá, clubes noturnos e tudo o mais que for a cara da cidade. Morando há 17 anos na cidade, Beth Lima desvenda nas páginas o jeito britânico de ser misturando informação com relato sentimental.
À certa altura, escreve: Se Paris é chic e feminina, Londres é elegante e masculina e, apesar de cosmopolita, ainda preserva a qualidade de vida de uma cidade do interior. Recheado de informações práticas, o volume atende àqueles que se vêem inseguros na hora de escolher onde se hospedar, onde comer, onde passear, onde dançar e onde comprar.
Cada bloco de endereços vem acompanhado de crônicas temáticas. Assim, um texto sobre o stiff upper lip - o herdeiro da aristocracia inglesa, homem contido e educado a não demonstrar seus sentimentos - antecede a lista de camisarias, tabacarias, sapatarias etc. Ao apresentar os melhores pubs, traça um pequeno retrato do que ela chama de a nação dos pinguços. O pub não vive sem a cerveja, nem a cerveja sem o pub e o inglês não vive sem os dois - sublinha.
Ao fornecer o roteiro dos clubes noturnos, ela mostra que para se divertir não basta pagar e entrar: tem que ter o look certo e muita atitude. Hoje, ela alerta, se você estiver de minivestido brilhante pode ficar deslocada numa noite jungle, mas se encaixar numa house, onde todos os garotos preferem jeans e camiseta colorida. O negócio é ficar sintonizado, para não cair na noite errada.
Bem, para quem está com o passaporte na mão, esse guia é uma mão na roda. Vale a pena conferí-lo, antes de fechar o zíper da mala.


