Guia revela uma inusitada capital inglesa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de julho de 2001
Gabriela Figueiredo Agência Estado 
Ela pode até não ser uma Jeanni, que concretiza os mais loucos pedidos de seu amo num piscar de olhos, mas, em compensação, oferece os caminhos para que você mesmo os realize em uma das principais capitais do mundo. A todos os que têm aversão aos guias de turismo convencionais, bem-vindos a uma viagem alternativa com Os Endereços Curiosos de Londres (Panda Books, R$ 26), da jornalista brasileira Cindy Wilk, de 27 anos. A publicação faz parte de uma coleção que teve seu primeiro número dedicado a São Paulo e que já programou versões de Nova York, Paris e Rio.
Que tal saborear uma barra de chocolate sabor pimenta? E comprar salsicha de avestruz em plena capital inglesa, ou pagar o preço que achar justo por um jantar num bistrô francês? Acrescente a essas esquisitices uma boa dose de informações úteis com seus devidos endereços, telefones, horários, preços etc e outras tantas curiosidades para desvendar uma Londres irreverente.
Partindo do princípio de que a cidade é sem graça se vista com o olhar de turista, a autora selecionou dicas sobre aluguel (de tudo o que se pode imaginar), antiguidades, beleza e visual, comida, programas para crianças, esportes e jogos, livros mercados, noite, passeios, pubs, bares e cafés, roupas, sapatos e afins, serviços, som e imagem.
Escritas de forma clara e descontraída, as informações podem mudar de úteis a fúteis. Pensei em vários públicos, desde a tia que gosta de colecionar moedas até o fulano que quer comprar sementes de maconha, revela.
No rol das sugestões indispensáveis estão locais adaptados para deficientes, telefone de um motorista para a última hora, livrarias especializadas, supermercado de produtos orgânicos e telefone contra enrascada (que dá indicações de como utilizar o transporte coletivo).
Já no be-a-bá das coisas esdrúxulas o leitor vai saber como alugar uma prisão, um balão, um cinema, uma máquina juke box e um quarto num palácio. Ou então comprar um cachorro-robô, uma poltrona com o formato do dono, sacos de lixo luxuosos, flores com espinhos, creme de algas do Pacífico, jóias para cachorro e vidros de veneno.
Reunir tantos endereços diferentes foi tarefa minuciosa. A pesquisa, feita em 2000, ano em que Cindy morou em Londres como correspondente da revista Próxima Viagem, contou com a ajuda do pai e da irmã, que garimparam informações pela Internet. Uma das dicas mais exclusivas, na opinião de Cindy, é o telefone para descobrir onde ficam as festas rave ilegais. Pouquíssima gente tem acesso a esse número.
Para fugir dos passeios comuns, Cindy conta que foi conhecendo os lugares aos poucos e que muitas vezes chegou sem querer. Uma vez segui até o fim de uma linha de metrô e desembarquei na Índia. Um bairro londrino com locadora, mercado e tudo mais do país.
Outros programas inusitados? Conhecer a história do vinho em inópolis onde além de aprender sobre a bebida o visitante participa de degustações e almoçar num pub de frente para a Ilha da Torta de Enguia, a única habitada do Tâmisa.
Se isso não é suficiente, visite o cemitério da Igreja de St. John, que dizem ter servido de inspiração para a obra Drácula, tome um chá no Fan Museum (Museu de Leques), vá ao Monumento dos Padeiros Suicidas e aos jardins suspensos da cidade.
E não é tudo: quer conhecer os principais pontos londrinos de um outro ponto de vista? Nada daqueles antigos ônibus vermelhos. A Frog Tours faz o tour a bordo de um carro anfíbio. Parece brincadeira.


