Guia revela história do Caminho do Ouro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de maio de 2006
Beatriz Coelho Silva<br> Agência Estado 
Rio - O caminho que os tropeiros percorriam nos séculos 18 e 19 para escoar o ouro do interior de Minas e levar para lá as mercadorias da Europa é hoje atrativo turístico dos três Estados mais ricos da Federação: São Paulo, Rio e Minas Gerais. A história está lá, brota do chão e se espalha no ar e, para facilitar a vida de quem deseja conhecê-la, acaba de sair o guia Estrada Real História, Cultura & Aventura (Empresa das Artes; 284 págs), em quatro idiomas: português, inglês, francês e espanhol.
Em formato de bolso e fartamente ilustrado, o livro ensina como descobrir os segredos desse Brasil profundo, sua culinária, suas paisagens e, principalmente, sua cultura, que mescla passado e presente.
A Estrada Real abrange 170 municípios desses três Estados, que têm como traço comum a cultura barroca. Damos dicas de esportes, turismo ecológico e compras, mas nosso interesse maior é divulgar a cultura local, o maior atrativo desse pedaço do Brasil, explica o editor do guia, Fábio Ávilla.
O trabalho foi encomenda do Instituto Estrada Real, que tem apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para estimular o turismo na região. Os mineiros já sabem há muito tempo que seu jeito e sua índole hospitaleira fazem parte desse patrimônio. Os fluminenses descobriram há pouco tempo e os paulistas estão no início desse processo, diz Ávilla.
Também conhecida como Caminho do Ouro, a Estrada Real abrange uma região que vai de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, quase ao norte de Minas Gerais, e desce até o Rio e Paraty, entrando pelo Estado de São Paulo nesta última vertente. Na verdade, são três caminhos principais. O velho, que ia de Ouro Preto a Paraty; o Caminho Novo, que ligava a antiga capital mineira ao Rio, passando por Petrópolis e Juiz de Fora. O terceiro caminho, o das Pedras, sai de Diamantina e chega até Ouro Preto, onde os tropeiros escolhiam um dos dois anteriores para chegar ao litoral.
Todos foram abertos pelos bandeirantes, que mandavam homens à frente das expedições para criar um pouso para suas caravanas. Segundo o guia, essa é a origem de cidades históricas mineiras como Sabará (a mais antiga da região) e Caeté.
Ouro Preto e Tiradentes, as duas com melhor infra-estrutura turística, cresceram às margens dos rios que guardavam o metal precioso. Diamantina tinha a pedra que lhe deu nome em tal quantidade que mudou o preço no mercado internacional, em meados do século 19. A exaustão das jazidas trouxe a decadência econômica e a salvação cultural dessas cidades que tiveram sua arquitetura e traços culturais preservados. Outras cidades que escaparam da degradação econômica, como Juiz de Fora ou Belo Horizonte (que foi Curral del Rey antes de ser capital), perderam as características da época.
Hoje, a região passa por um renascimento econômico, trazido pelo turismo. Principalmente o ecológico ou de aventura, pois lá não faltam rios, cachoeiras, grutas e montanhas para todos os gostos. O guia cita 22 modalidades de esportes, do bucólico turismo fotográfico ao arrojado canyoning (que consiste em descer cachoeiras amarrado em cordas, enfrentando o peso e a pressão da água). E ainda flerta com esoterismo e a culinária típica, a mesma que alimentava bandeirantes e tropeiros em suas longas jornadas (e que costuma-se atribuir somente a Minas Gerais). Segundo o livro, as viagens duravam semanas, pois era impossível andar mais de 25 quilômetros por dia, ou seja, o caminho do Rio a Petrópolis, de menos de 100 quilômetros, durava meia semana.
Estas cidades têm boa infra-estrutura para receber o visitante, com muitos hotéis-fazenda e pousadas, avisa Fábio Ávilla, que, evidentemente, recomenda hotéis e restaurantes nas 170 cidades, mas também lista museus, centros culturais e festas de cada uma delas.
A Empresa das Artes especializou-se em guias e já publicou o dos Parques Nacionais brasileiros, o do Estado do Amazonas e vai lançar o do Pará em breve. O da Estrada Real foi financiado pelo Banco do Brasil, que investiu R$ 500 mil e ficou com parte dos 40 mil exemplares. Os outros são vendidos em livrarias e bancas de revista, mas Ávilla pretende lançá-lo também no exterior. Pouca gente sabe, mas muitos estrangeiros vêm a esta região, atraídos pelo turismo ecológico, diz.


