Guerras no palco do Filo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de junho de 2010
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
A companhia Amok Teatro, do Rio de Janeiro, tem um grande desafio nos dois espetáculos que apresenta no Festival Internacional de Londrina (Filo): encontrar o homem universal ao atravessar campos de batalha e conflitos entre palestinos e israelenses.
''O Dragão'' é uma busca do que sobra da condição humana sob o conflito entre palestinos e israelenses. Sexta-feira, sábado e domingo, às 21h30, a companhia apresenta ''Kabul'', no Teatro Ouro Verde. Na peça, a tragédia humana é o alvo no território afegão.
São três visões sobre a guerra, destrinchadas no palco. A terceira incursão e que terá um olhar sobre a infância comprometida pela violência das guerras ainda está em processo de criação.
Rompendo o arame farpado que cerca as emoções, os medos, ideais e sonhos, a companhia procura sempre nos olhos das mulheres, os sentimentos universais.
Criada há 12 anos por Ana Teixeira e o francês Stephane Brodt, a Amok decidiu conhecer de perto os conflitos existenciais quando Ana fez uma curadoria para o Encontro Mundial de Artes Cênicas, que discutia o teatro em tempos de guerra, com a participação de artistas do Afeganistão, Iraque, Sérvia, entre outros.
''Surgiu a vontade de falar sobre a guerra para tratar das nossas próprias guerras, como a que vivemos no Rio de Janeiro. Percebemos que compreendíamos mal e queríamos entender melhor. Resolvemos mergulhar no assunto porque encontramos uma pulsação muito grande'', comenta Ana.
Municiados por um trabalho de pesquisa de linguagem de mais de um ano e oito meses de ensaios, a companhia criou em ''O Dragão'' um espetáculo documentário que, apesar de emprestar os recursos das reportagens, entrevistas, depoimentos e artigos sobre guerras, cruza a objetividade da mídia para ir de encontro a quem está atrás dos dramas.
''O Dragão'' é sobre perdas, a dor e a dimensão da guerra para além da violência e da destruição que todos assistem na televisão e internet, mostrando os sentimentos das perdas de pais, filhos e do próprio corpo, através do olhar de mães.
''Já 'Kabul' é um drama existencial sobre quatro casais. Geralmente, o que conhecemos do Afeganistão é o que se vê nas ruas, mas nunca conhecemos o interior das casas. Você não entra na casa para ver o que acontece lá dentro, onde essas mulheres vivem. Um imagem real da internet em que uma mulher é executada num estádio, despertou o interesse em saber quem era essa mulher. Instigados ainda pelo livro 'As Andorinhas de Kabul', aceitamos o grande desafio de através de uma realidade tão diferente da nossa, chegar no ser humano universal'', afirma Ana.
''Vida'', peça da Companhia Brasileira de Teatro, de Curitiba, em única apresentação hoje, às 20h30, no Teatro Ouro Verde, é baseada na obra de Paulo Leminski. No palco, quatro personagens vivem isolados em espaços específicos e cada qual com a sua reflexão sobre a vida.
Com direção de Márcio Abreu e música de André Abujamra, a peça é um inventário de vidas prosaicas, que buscam algum sentido.
Também estreia hoje a peça ''Intérieur Nuit'', de Jean-Baptiste André. O artista experimenta em sua performance as várias possibilidades do movimento e do corpo no espetáculo de dança, teatro, contorcionismo, música eletrônica e projeções de vídeo.
SERVIÇO
- O Dragão Amok Teatro, Rio de Janeiro
Quando: Hoje e amanhã, 21h30
Onde: Teatro Filo
Indicação: adulto
- Intérieur Nuit, Jean-Baptiste André, França
Quando: Hoje e amanhã, 20h
Onde: Teatro Marista
Indicação: adulto
- Vida, Companhia Brasileira de Teatro, Curitiba
Quando: hoje, 20h30
Onde: Teatro Ouro Verde
Ingressos
Teatro Ouro Verde
Plateia:
R$ 20 (inteira)
R$ 10 (meia-entrada)
Balcão:
R$ 10 (inteira)
R$ 5 (meia-entrada)
Demais espaços
R$ 20 (inteira)
R$ 10 (meia-entrada)


