Embora concluído e pronto para lançamento quando ocorreram os ataques terroristas em 11 de setembro, ‘‘Atrás da Linhas Inimigas’’ (veja a programação de cinema nesta página) foi estrategicamente reservado para quando a dor e o ranger de dentes estivessem amenizados. Com a emoção já sob certo controle, as platéias – masculinas, predominantemente – poderiam então ser convidadas a uma adesão mais racional a este involuntário, ainda que providencial, ‘‘esforço de guerra’’ hollywoodiano. O filme lida com atitudes norte-americanas militares/intervencionistas, e é palpável o tom de patriotismo ultrajado pelo terrorismo, esteja ele onde estiver.
Quando o filme começa, as tropas da OTAN estão para sair da Bósnia em decorrência de um tratado de paz que a platéia tem sérias dificuldades para saber de que natureza é ou de que se trata realmente. É tempo de Natal, e a entediada dupla de pilotos Chris ‘‘Longhorn’’ Burnett (Owen Wilson, no elenco de ‘‘Zoolander’’) e Stakehouse ‘‘Smoke’’ (Gabriel Match), estacionada num porta-aviões em algum lugar do Adriático, sai em missão num caça F-18. O rebelde, ‘‘bad boy’’ Longhorn acaba tirando algumas fotos que não devia – uma execução em massa – e o avião é abatido atrás das tais linhas inimigas. Ele sobrevive e escapa, enquanto Smoke é executado. Gene Hackman é o almirante Reigart, um homem descomplicado, segundo um colega. No comando, ele desafia ordens superiores, compromete as negociações de paz da OTAN e joga fora sua longa carreira militar quando, sem autorização, manda resgatar Longhorn em território inimigo.
Depois de duas horas de perseguição e tiroteio na neve, com direito a driblar minas, rajadas de metralhadoras e toda sorte de ameaças, Longhorn afinal vê a chegada do sétimo de cavalaria liderado por Hackman. O inimigo – nunca se sabe ao certo se são bósnios, sérvios, croatas ou muçulmanos – é castigado, o jovem rebelde aprende lições de humildade e é promovido a herói e o almirante é punido.
Bastam dez minutos de filme para o espectador ladino perceber a origem do neófito diretor irlandês John Moore, formado no ultraveloz universo dos comerciais de tevê e na cliperia de shows. Truque de montagem é o que não falta, no melhor (?) estilo ‘‘frame-MTV’’. A interpretação é rudimentar (e o grande Hackman está ali só para ganhar um bom dinheiro, alguém duvida?), já que o roteiro não exige nada de relevante. Os maus da história, então, são verdadeiros ‘‘cartoons’’ de vilania. A música é quase uma bizarra curiosiodade: um mix de techno-rock e partitura para coral. A idéia do estreante Moore talvez fosse modular barulho bélico com tensão crispante, mas errou longe. Não é assim que se constrói uma trilha funcional.

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