Guerra em versão MTV
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de janeiro de 2002
Carlos Eduardo Lourenço Jorge 
Embora concluído e pronto para lançamento quando ocorreram os ataques terroristas em 11 de setembro, Atrás da Linhas Inimigas (veja a programação de cinema nesta página) foi estrategicamente reservado para quando a dor e o ranger de dentes estivessem amenizados. Com a emoção já sob certo controle, as platéias masculinas, predominantemente poderiam então ser convidadas a uma adesão mais racional a este involuntário, ainda que providencial, esforço de guerra hollywoodiano. O filme lida com atitudes norte-americanas militares/intervencionistas, e é palpável o tom de patriotismo ultrajado pelo terrorismo, esteja ele onde estiver.
Quando o filme começa, as tropas da OTAN estão para sair da Bósnia em decorrência de um tratado de paz que a platéia tem sérias dificuldades para saber de que natureza é ou de que se trata realmente. É tempo de Natal, e a entediada dupla de pilotos Chris Longhorn Burnett (Owen Wilson, no elenco de Zoolander) e Stakehouse Smoke (Gabriel Match), estacionada num porta-aviões em algum lugar do Adriático, sai em missão num caça F-18. O rebelde, bad boy Longhorn acaba tirando algumas fotos que não devia uma execução em massa e o avião é abatido atrás das tais linhas inimigas. Ele sobrevive e escapa, enquanto Smoke é executado. Gene Hackman é o almirante Reigart, um homem descomplicado, segundo um colega. No comando, ele desafia ordens superiores, compromete as negociações de paz da OTAN e joga fora sua longa carreira militar quando, sem autorização, manda resgatar Longhorn em território inimigo.
Depois de duas horas de perseguição e tiroteio na neve, com direito a driblar minas, rajadas de metralhadoras e toda sorte de ameaças, Longhorn afinal vê a chegada do sétimo de cavalaria liderado por Hackman. O inimigo nunca se sabe ao certo se são bósnios, sérvios, croatas ou muçulmanos é castigado, o jovem rebelde aprende lições de humildade e é promovido a herói e o almirante é punido.
Bastam dez minutos de filme para o espectador ladino perceber a origem do neófito diretor irlandês John Moore, formado no ultraveloz universo dos comerciais de tevê e na cliperia de shows. Truque de montagem é o que não falta, no melhor (?) estilo frame-MTV. A interpretação é rudimentar (e o grande Hackman está ali só para ganhar um bom dinheiro, alguém duvida?), já que o roteiro não exige nada de relevante. Os maus da história, então, são verdadeiros cartoons de vilania. A música é quase uma bizarra curiosiodade: um mix de techno-rock e partitura para coral. A idéia do estreante Moore talvez fosse modular barulho bélico com tensão crispante, mas errou longe. Não é assim que se constrói uma trilha funcional.


