Sexta-feira passada eu estava lendo uma revista dessas famosas e que continha uma crônica ganhadora de dois prêmios. Logo que vi a chamada de capa, fui correndo até a página para ler e ver se a crônica era mesmo merecedora das conquistas - todo leitor é um crítico.
Me encantei logo com o primeiro parágrafo, apesar de não entender algumas palavras. Fui feliz até as últimas páginas e dei o aval - bem interessante. Observando, perto de mim, uma colega de trabalho que estava se divertindo com jogos no computador, daqueles bem simples e bobinhos, mas que fazem a hora passar rapidamente, indiquei a leitura da crônica para ver a reação dela. Eu queria saber se ela seria capaz de lidar com a leitura como lidava com aquela máquina tão poderosa.
Eis que começou a tensão.
- Sim, quero ver, sorriu ela, pedindo a revista.
Quando percebeu que o texto ocupava toda a página, sem nenhuma ilustração, começou a se preocupar com as agonias que iria passar. Ela não queria mais ler.
- Grande, né? comentou com um sorriso constrangido.
- É, mas é divertido, principalmente a parte dos cachorrinhos, brinquei e a encorajei.
Começou a leitura. As duas mãos na cabeça, olhos que iam e voltavam. Colocou os óculos. Parou, coçou a cabeça. Voltou. Leu o primeiro parágrafo e desistiu de vez. Então, ela olhou para mim e disse:
- Quer que eu ensine você a jogar um game de guerra?
KIM KOPYCKI é estudante de Jornalismo

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