Desde que foi identificado pela primeira vez no País, em abril do ano passado, o vírus da zika tem provocado muita preocupação e mobilizado as autoridades de saúde no Brasil. Isso porque o Ministério da Saúde (MS) já confirmou a relação do vírus com a microcefalia e investiga uma possível relação com a síndrome de Guillain-Barré. Zika vírus é uma infecção causada pelo vírus ZIKV, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, mesmo transmissor da dengue e da febre chikungunya. É uma doença viral caracterizada por febre, presença de manchas vermelhas na pele com coceira, olhos vermelhos sem coceira e sem secreção, dores musculares e nas articulações.
A Secretaria Municipal de Londrina confirmou, na semana passada, o segundo caso autóctone de zika na cidade. Com relação à dengue, já são 2.358 casos confirmados entre agosto do ano passado e o último dia 8 de março - atual período epidemiológico. Felizmente, não havia nenhuma confirmação de morte causada pela doença até a tarde de ontem em Londrina. Diante da situação preocupante, mais do que nunca, as medidas de conscientização e campanhas de prevenção tornaram-se imprescindíveis.
Como parte do calendário, a Secretaria Municipal de Educação de Londrina, lançou, em fevereiro, um concurso para todas as escolas municipais e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) visando conscientizar e mobilizar os estudantes para o combate ao mosquito Aedes aegypti.
As instituições tiveram o mês para planejar ações pedagógicas que devem ser desenvolvidas mensalmente. No fim do ano, as melhores iniciativas serão contempladas com sorteio de notebooks. Além de sensibilizar a população, a campanha tem o objetivo de estimular iniciativas de prevenção, bem como esclarecimento sobre o vetor da doença. As escolas já começaram e várias ultrapassaram os muros das instituições. Vão desde "apitaço" nas ruas dos bairros, panfletagem com orientações de combate e distribuição de adesivos, até mutirão para recolhimento de lixo que podem ser tornar criadouros dos mosquitos. Internamente, as escolas criaram maquetes explicativas, larvário com as fases do mosquito, campanha com cartazes e textos informativos.
Uma das ações de destaque foi a campanha realizada pela Escola Municipal Ruth Lemos (zona norte) que desenvolveu uma mosquitoeira e protetores de vaso com os alunos do quarto ano. Essas medidas bem simples, a custo quase zero, podem ser facilmente feitas em casa. Isso é possível porque uma versão alternativa da "armadilha" foi criada por um professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com o uso de materiais como garrafa pet, fita isolante e um pedaço de tecido de tule. "Recebi essa ideia num grupo do qual participo, fiz em casa e deu certo, tanto na fabricação quanto na eficácia. Além de ser algo diferente do que os alunos estão acostumados, era viável de realizar com eles em sala de aula", comenta a professora Dirce Mendes Fantini.
Ela explica que, depois de cortar a garrafa pet ao meio, é necessário lixar o lado interno da parte superior (a que tem o "bico" da garrafa). "É preciso que a base fique bem áspera e aderente para que o mosquito grude ali." Após essa etapa, deve-se retirar aquele pequeno lacre da tampa, colocar um pequeno pedaço de tecido de tule para, então, recolocar o lacre. "Como se fosse um funil, encaixamos a parte superior de cabeça para baixo na parte inferior. Passamos uma fita adesiva para unir as duas partes. Antes, porém, é preciso colocar alguns grãos de arroz triturados dentro, pois servirão de chamariz aos mosquitos. Enchemos de água até um limite e pronto, está feita a armadilha."
Atraído pelo arroz, o mosquito fica preso no vão entre as duas partes. Ali, ele vai colocar seus ovos que, em contato com a água, vão virar larvas até eclodirem em novos mosquitos. No entanto, não vão conseguir escapar da garrafa e morrerão. De tempos em tempos, a água deve ser trocada e os mosquitos, junto com as larvas que não eclodiram, descartados. "Todas as formas de conscientização são importantes. Mas ações como essa, em que os alunos veem o resultado, trazem ainda mais retorno para os cuidados e prevenção", resume a professora, acrescentando que, além da mosquitoeira, ensinou como colocar protetores de vaso feitos com meia fina. "É mais simples ainda. Basta colocar a meia em volta do vaso. Isso vai impedir que o mosquito coloque os ovos na água que escorre da planta", conta.

mockup