Arquivo FolhaApreensão de fitas piratas no Paraná: Brasil e Paraguai estão no alvo da políciaA Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), composta por 70 países, contratou um ex-policial para dirigir a luta contra a pirataria de discos e fitas cassetes, um tráfico florescente na Ásia, Europa do Leste e América Latina, principalmente no Paraguai e no Brasil.
Segundo a poderosa IFPI em 1996 a venda de discos piratas alcançou mais de cinco bilhões de dólares, o que representa 1,5 bilhões de cassetes e 30 milhões de CDs (14% do total vendido) em alta de 6% em relação a 1995.
‘‘No total, uma de cada três gravações é uma cópia pirata’’, destacou um porta-voz da IFPI, com sede em Londres, e que reúne mais de 1.300 fabricantes de discos de 70 países.
Para tratar de frear esta progresão galopante, a organização contratou recentemente o ex-chefe da luta antidroga de Hong Kong. ‘‘Nos últimos dois anos nos demos conta que precisávamos de gente com experiência policial, já que os que manejam o negócio da pirataria contam com métodos cada vez mais sofisticados’’, estimou o diretor da EMI londrina, Ropert Perry.
‘‘A pirataria deixou de ser atividade de pequenos fraudadores, agora é um negócio importante’’, afirmou. ‘‘Na atualidade há, conexões provadas entre a pirataria musical e o tráfico de drogas, a pornografia, a lavagem de dinheiro sujo e a extorsão’’, disse outro ex-policial, David Martin, contratado pela British Phonographic Industry.
LucrosO comércio de discos e cassetes falsificados se tornou tão lucrativo que agora interessa até aos grupos paramilitares da Irlanda do Norte, sempre em busca de financiamento para suas atividades terroristas, segundo Martin.
No entanto, o problema tem alcançado proporções alarmantes fora da União Européia. Na América Latina, o Paraguai está há tempos na mira dos Estados Unidos, e se considera que o mercado de videocassete no Brasil é 99% ilegal.
Na Ásia, a China continua sendo uma praça forte de produção (várias dezenas de milhões de discos piratas ao ano) apesar das operações de repressão, a pedido da opinião pública internacional, que provocaram o fechamento de várias fábricas clandestinas.
A repressão provocou uma rápida transferência dos traficantes para Hong Kong, Taiwan, Macao e Malásia.
Na Europa, a ‘‘ovelha negra’’ é a Bulgária, com uma capacidade de 45 milhões de CDs ao ano, para uma demanda interna de 100.000 unidades somente. A República Checa também está incriminada, e na Rússia, onde as máfias começaram a perceber que se trata de um bom negócio, o mercado de discos piratas está em expansão.
Esta situação levou o governo britânico a solicitar a União Européia - cuja presidência assegura este ano - que imponha aos países candidatos a decisão de lutar mais eficientemente contra este problema.
‘‘A União Européia deve demonstrar mais firmeza para reforçar seus controles contra a pirataria. Sabemos que uma das principais fábricas piratas da Europa é uma empresa estatal’’, disse recentemente o ministro de cultura britânico Chris Smith. O Reino Unido é um dos mais envolvidos com esse problema já que a indústria musical, que gera 115.000 empregos, exporta mais que a siderúrgica.

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