O público paulistano já está vendo a montagem de ''A Luta Secreta de Maria da Encarnação'', novo texto de Gianfrancesco Guarnieri, em cartaz no teatro Sérgio Cardoso.
Guarnieri conta que redescobriu o prazer de escrever para teatro com a peça. ''O processo todo foi uma delícia, tivemos uma interação muito grande, eu e o grupo. Criei uma afinidade maravilhosa com (o diretor) Marcus Vinícius Faustini, de quem me aproximei quando ele trouxe ''Eles Não Usam Black Tie' a São Paulo (em março). Nós temos muita coisa em comum, não só como amigos, mas em termos de pensamento teatral'', diz.
Narrando a história de Maria da Encarnação, que enquanto procura suas duas filhas desaparecidas recorda sua sofrida trajetória, Guarnieri mais uma vez criou um personagem feminino forte para discutir questões sociais e subjetivas. Segundo Ewerton de Castro, que faz participação especial na peça, ''há um pouco de Romana no texto'', referindo-se ao personagem que Fernanda Montenegro imortalizou na versão cinematográfica de ''Black Tie'' (81).
''Eu queria fazer um negócio sobre o povo, mas quem representaria o povo? Uma mulher humilde. Como a peça se passa toda no fluxo de memória do personagem, preferi colocar uma mulher pela visão mais sensível e subjetiva que elas têm'', define o autor.
Dentro de sua obra, Guarnieri explica que ''a peça, claro, é uma evolução''. ''A gente acaba somando uma série de coisas. E o texto abriu um novo caminho, encontrei um novo estímulo. Quero me dedicar exclusivamente à dramaturgia'', afirma.
''Eu diria que ela é a fusão de dois períodos: o teatro dos anos 70, fortemente épico, social, e que era necessário então; e o teatro dos anos 80, preocupado com os dilemas individuais, subjetivos, quando o sonho de mudar o mundo se desfez e as pessoas passaram a se questionar. A minha peça une os dois elementos, o épico e o subjetivo'', define.
A respeito da montagem, uma superprodução de R$ 1,5 milhão, Guarnieri diz: ''Mesmo grandioso, o espetáculo não esmaga o que se quer dizer. É emocionante''.

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