Com 20 anos de carreira, pensando em voltar à televisão ano que vem, e correndo o País com a peça ‘‘O Cara de Pau’’, depois de oito meses na Sala São Luiz em São Paulo, o ator, diretor e produtor Paulo Guarnieri fala de peito aberto: ‘‘viver no Brasil é muito caro’’. Sua arte bem que merecia um lucro maior, mas é impossível ter os preços de mercado como os grandes centros mundiais.
O que ele gasta para poder trabalhar - pagar elenco, aluguel de teatro, viagens, etc. - tem os mesmos valores que nos Estados Unidos. Se viesse a cobrar aqui o preço usual ‘‘de qualquer parte do mundo’’, o ingresso não sairia por menos de R$ 45,00. ‘‘Como poderia fazer isso num País que paga um salário de R$ 120,00?’’, pergunta-se.
Aliás, é com esse salário que vive o ex-metalúrgico Otávio, da peça ‘‘O Cara de Pau’’. ‘‘O espetáculo é uma caricatura da realidade brasileira’’, explica Guarnieri. Escrita por Juca de Oliveira há 20 anos, a peça curiosamente é mais atual hoje que na década de 70. Seu pano de fundo é o desemprego, mas o que poderia ser um drama, transforma-se em riso.
Paulo Guarnieri avisa: ‘‘Não há profundidade na peça. Há, sim, profundidade muito grande no que se refere a fazer rir. Não estamos aqui com uma ‘comediazinha caça-níquel’. As pessoas sentem que este trabalho tem dramaturgia, tem direção, tem capricho. E tem Castrinho, que é um humorista genial’’, acrescenta o diretor.

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