Guaíra divulga a agenda cultural
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de março de 2002
Zeca Corrêa Leite<br>De Curitiba 
No próximo dia 8, a Orquestra Sinfônica do Paraná realiza o primeiro concerto da temporada. O espetáculo, num ato simbólico, tem a primazia de abrir as cortinas do Teatro Guaíra para as atividades artísticas de 2002. A partir dessa data tem início, oficialmente, a programação do teatro que só encerrará em meados de dezembro. A pauta está praticamente tomada até o final do ano, mas não dá para afirmar que os cartazes agendados estarão no palco. Muitas vezes ocorrem alterações, com trocas ou mesmo desistência deste ou daquele espetáculo.
A disputa dos empresários pela pauta do Guaíra é uma prova da sua importância, sublinha a diretora-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, Doris Teixeira. Mas, assim como há interessados particulares, a própria casa quer colocar em cena seus músicos e bailarinos. Como sempre vamos priorizar nossos corpos estáveis que são a orquestra, o balé e a escola de danças, continua Doris.
A OSP inicia o ano com novo maestro. O italiano Alessandro Sangiorgi assume o pódio com a confortável certeza de ser bem-vindo a escolha recaiu a ele depois de uma consulta feita aos músicos. Foi nome de consenso. O regente-titular pretende incrementar o lado erudito do repertório, sem perder a diversidade que foi a marca de Jamil Maluf enquanto esteve à frente do corpo sinfônico. A ousadia em trabalhar com temas mais populares fez com que os últimos concertos tivessem casa lotada. Foram seis meses de sucesso absoluto.
Acredito que a orquestra virá este ano com a mesma garra, fala Doris. Será preciso, pois a previsão é de 20 concertos no Guairão e dez sessões didáticas, no Canal da Música, para alunos de escolas da rede pública. A experiência iniciada há dois anos deu tão certo que para 2002 a intenção é de atingir perto de 10 mil alunos da faixa etária dos 3 até os 18 anos, em média. O projeto estará a cargo do maestro Paulo Torres. Para cumprir a agenda, a ordem será de dois concertos sinfônicos e um didático ao mês, além das tradicionais viagens a Londrina e Cascavel, à época dos festivais de música.
Ainda na área musical tem uma novidade que deverá acontecer no segundo semestre: a produção de uma ópera, sob a chancela do Teatro Guaíra. As conversas nesse sentido já tiveram início, mas a ordem é não abrir o jogo. Com a chegada de Alessandro Sangiorgi é possível que o projeto avance, já que ele seria um de seus mentores.
Um dos acontecimentos marcantes de 2002 com toda certeza será a nova montagem do O Grande Circo Místico que estará completando 20 anos em 2003. A diretora do Ballet Teatro Guaíra, Suzana Braga, com aquiescência da direção do teatro, resolveu festejar a data com uma nova criação coreográfica, e convidou Luís Arrieta para reger a festa, com apoio de Dani Lima, responsável pelo balé aéreo. É dançar na corda bamba, porque as imagens da montagem anterior ainda são fortes na lembrança do público. É o maior sucesso da companhia, sem dúvida alguma, aplaudido dentro e fora do Brasil.
A estréia não tem data marcada, mas a previsão é para que aconteça na primeira quinzena de junho. O roteiro terá a assinatura de Naum Alves de Souza, a trilha sonora de Edu Lobo e Chico Buarque deverá contar com algumas regravações no instrumental, supervisionadas de perto por Edu Lobo, e o cenário e figurino de autoria de Rosa Magalhães. Esperamos que faça o mesmo sucesso da primeira versão, aspira Doris Teixeira.
Assim como a vinda do maestro Sangiorgi tem apoio do grupo Positivo, o corpo de baile também deverá contar com apoio de patrocinadores, através da Lei Rouanet, a exemplo das viagens feita no ano passado pela companhia. Estamos buscando parceiros para viabilizar o projeto da dança, informa Doris. As negociações estão avançadas com o Banco Real, Copel e a Embratel que deu seu apoio nas duas últimas turnês. Para este ano a proposta é novamente correr o Brasil, agora com O Grande Circo Místico.
O Grupo G2, que reúne outros bailarinos do BTG, também deverá botar o pé na estrada e se apresentar no interior do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Já a Escola de Danças Clássicas poderá futuramente ter sede própria. No momento os esforços estão concentrados na aquisição de um terreno. Aí então poderemos desenvolver um projeto arquitetônico adequado de acordo com as reais necessidades do local, segundo Doris Teixeira.
Outro sonho acalantado por ela é a bilheteria informatizada. Como a estruturação da rede interna já foi concluída, a Celepar está desenvolvendo um sistema específico para a casa, embora haja possibilidades de vir a ser utilizado um programa criado em Minas Gerais para o Palácio das Artes. Estamos aguardando uma resposta para a cessão desse sistema ao nosso teatro, explica a diretora. Então, são dois projetos que estão correndo paralelos: se um falhar a gente tem outra alternativa. Espero até o final deste primeiro semestre conseguir isso.
A informatização trará mais agilidade na venda dos ingressos, e permitirá aos diversos setores da administração terem visibilidade do movimento da bilheteria, já que haverá acesso através da rede. O fator econômico estará presente com esse novo serviço, como evidencia Doris: Hoje imprimimos a lotação inteira, e se não vende tudo, os bilhetes vão para o lixo.
Com as vendas antecipadas dos ingressos, cada guichê ocupa-se com um espetáculo, gerando filas naqueles de maior procura enquanto os demais ficam vazios. Através da informática todos os guichês poderão vender bilhetes de todos os auditórios, simultaneamente, imprime-os no ato da compra. Para Doris Teixeira as conquistas, mais que necessárias, acontecem devido à afinação que há entre o Guaíra e a Secretaria de Estado da Cultura. A situação que a gente vive é difícil, mas o apoio que recebemos é fundamental para o desenvolvimento do trabalho, encerra.


