ReproduçãoPraça da Igreja MatrizGuadalajara, capital do Estado de Jalisco, é hoje a segunda cidade do México. Sua população cresceu muito com a emigração que se seguiu ao terremoto na Cidade do México, em 1985. As pessoas já reclamam da falta de infra-estrutra urbana e de problemas há pouco tempo distantes, como a poluição.
Estive apenas um dia na cidade, mas a impressão foi a melhor possível. Acostumado com o processo autofágico do crescimento paulistano, não acreditava na feliz coexistência da arquitetura moderna com os sítios históricos preservados. Nos calçadões do centro, os edifícios modernos nunca ultrapassam em altura os mais antigos, e a harmonia discreta de suas janelas de vidro fazem um agradável contraste com as sacadas dos casarões.
No centro da cidade encontra-se um dos mais importantes murais do México. De autoria de José Clemente Orozco, demandou seis anos para sua realização. O mural está no edifíco principal do Hospício Cavanhas, um gigantesco orfanato construído em 1810 e hoje transformado em museu.
Deitado sobre grandes bancos de madeira, pois boa parte do mural foi pintada no teto, você vai seguir a visão de Orozco da saga do povo mexicano, dos mitos pré-hispânicos ao México do século 20. Reserve pelo menos meio período para absorver essa grande narrativa pictórica e preste atenção na parte dedicada aos ditadores latino-americanos: pode ser que você reconheça alguém ali.
Guadalajara é a cidade natal de Orozco, e o Hospício Cavanhas tem um grande acervo do pintor. Se você se interessa por esse que é considerado o mais trágico dos muralistas, deve ir à casa onde ele nasceu, também transformada em museu.
Antes de ir embora visite Tlaquepaque, um subúrbio que se transformou num lugar de boêmia e festividades. Cravado em sua praça, uma construção circular abriga uma série de pequenos restaurantes. Enquanto faz sua refeição a preços que variam de 35 a 50 pesos (média de R$ 7), você pode contratar uma canção de um grupo de mariachis. (F.B.)

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