Em uma caverna que não se conhece ao certo a profundidade e que alguns acreditam não ter fim, sobram lendas enriquecidas pela história dos tropeiros, que pela divisa do Paraná (pela região Norte Pioneiro) com São Paulo chegavam ao Rio Grande do Sul, deixando em cada parada um pouco de sua cultura. Um roteiro turístico que está a 3 quilômetros na divisa do Paraná com Itararé, em São Paulo.
Com 112 anos de emancipação política, o município de 50 mil habitantes é um mar verde, com a maior área de reflorestamento artificial do Brasil, sendo a terceira maior do mundo.
Se as mãos do homem mudaram a paisagem da região, a partir da década de 70, quando foi incentivado o cultivo de pinus, a natureza também foi pródiga em tornar o Vale da Ribeira uma atração para os olhos, que se surpreendem ao procurar sem encontrar o fundo da Gruta da Barreira. A cerca de 4 quilômetros ao sul do centro de Itararé, próxima à rodovia SP-270, no Vale das Andorinhas, a caverna também é conhecida por Gruta da Santa da Barreira.
Entre as lendas que atravessam as passarelas com escadas que vasculham parte do interior do salão principal da gruta, onde a imagem de Nossa Senhora de Lourdes espera pelos visitantes, fiéis que costumam fazer romaria até o lugar afirmam que, com muita fé, é possível ver a santa no abismo que a natureza levou milhares de anos para esculpir.
Dizem que a imagem da Mãe de Jesus teria sido colocada na gruta há mais de 50 anos no caminho dos tropeiros.
O Rio Itararé, que em alguns trechos segue um curso subterrâneo, aponta à flor da rocha no outro salão, deixando cair também uma cortina d'água pelo paredão de pedra.
A água cristalina, característica da região, se transforma num caudal para se esconder novamente dentro da rocha num espetáculo virtuoso.
Virtuosidade que se torna ainda maior se for contemplada no entardecer, quando milhares de andorinhas dançam no céu, terminando o balé num vôo rasante para dentro da gruta dormitório.
As aves começam a chegar em bandos orquestrados e parecem saber o momento de entrar em cena, executando a última melodia do dia, que dura cerca de meia-hora, enquando sobrevoam em círculo a entrada da gruta, antes de como flechas, mergulharem na escuridão da caverna.
Os traços da paisagem da região da gruta também inspiraram o pintor francês Jean-Batiste Debret (1768-1848), que pintou uma tela da Barreira. O artista integrou a Missão Artística Francesa, grupo de artistas que esteve no Brasil no início do século XIX, comandandos por Joachim Lebreton (1760-1819), revolucionando o panorama das artes plásticas no país.
Itararé, que passou para a história como palco da batalha que nunca houve, fiasco patrocinado pelos revoltosos constitucionalistas de São Paulo que se concentraram na região para barrar as forças do Governo Provisório de Getúlio Vargas, que ignorou a presença dos oponentes, também escreveu outros capítulos da história brasileira, argumentos suficientes para o desenvolvimento do potencial turístico da região.
A Gruta da Barreira está no caminho dos tropeiros, que desde Viamão, no Rio Grande do Sul, rasgavam no lombo de cavalos o Paraná em direção a Sorocaba (SP), deixando cair à beira do caminho, pedaços de sua cultura.
Próxima a trilha ecológica Tapixingui, com uma grande diversidade de fauna e flora, a preservação da Gruta da Barreira era feita por uma organização não-governamental, mas agora é o município que está administrando o circuito turístico, com acesso pela Rodovia SP-270.
Existe uma infra-estrutura mínima para garantir a segurança dos visitantes, com escadas e muretas, que ajudam a evitar acidentes.
Uma parceria entre o governo estadual paulista e o município de Itararé para incentivar o turismo na Trilha dos Tropeiros, que no percurso total se estende por cerca de 1.500 quilômetros até o RS, pode contribuir para que o circuito da gruta seja incluído no roteiro dos turistas na região.
''Esperamos que a Sabesp faça a rede de tratamento de esgoto em Itararé, já que a prefeitura comprou um terreno destinado ao aterro sanitário do município para que o projeto turístico ganhe fôlego. Temos três córregos que cortam a nossa zona urbana numa região que pode se tornar um complexo turístico importante, envolvendo cerca de 10 cidades, incluindo Jaguariaíva e Sengés no Paraná'', comenta o assessor de Imprensa de Itararé, José Reinaldo Silva.
Ao visitar algumas trilhas da região, o visitante poderá encontrar animais como o lobo-guará, entrando em contato com uma natureza ainda a ser explorada.
Para se hospedar em Itararé, o turista encontrará uma rede hoteleira com hotéis, pousadas e hotéis fazenda.

Serviço
O acesso à Gruta da Barreira é gratuito e totalmente pavimentado, podendo ser visitada em dias de chuva. Não existe uma linha de transporte coletivo até o Parque das Andorinhas, mas os turistas interessados em conhecer o lugar podem agendar visitas com a Coordenadoria de Turismo da Prefeitura de Itararé pelo fone 15-3532-4122, que disponibilizará o transporte. Leve lanche, já que não existe estrutura gastronômica, e também repelente contra insetos.

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