Gruta Azul é um espetáculo
Bonito Se o tempo ajudar, o espetáculo é nada menos do que monumental. As belas formações com idade estimada em 500 milhões de anos da Gruta do Lago Azul ganham contornos quase fantasmagóricos num brilho de sol. A delicadeza, porém, não é testemunhada pela maioria dos visitantes. Afinal, o sutil, mas arrebatador show da natureza tem vez apenas entre os meses de dezembro e janeiro, de manhãzinha e dura pouquíssimas horas, duas, no máximo.
É quando o sol incide diretamente no lago que dá nome à gruta e realça o inacreditável azul de suas águas. Bom, na verdade, não é para acreditar naquela coloração mesmo. As águas, claro, são transparentes, mas uma ilusão de ótica as deixa numa tonalidade inesquecível.
Mesmo sem esse privilégio, o passeio fica por muito tempo na memória. Durante os exatos 320 degraus de descida na caverna ou 100 metros , o guia leva os visitantes a uma espécie de alucinação coletiva. Explica-se: as muitas estalactites (formações rochosas que saem do teto em direção ao chão) e estalagmites (formações do chão ao teto) criam curiosos desenhos. É só deixar a imaginação voar.
O passeio até a gruta tombada pelo Patrimônio da União em 1978 leva mais ou menos duas horas e são permitidos, no máximo, 15 visitantes de cada vez. E nem pensar em encostar numa das paredes, tentar entrar com objetos como tripé e sequer falar alto. É bronca na certa. Há ainda outra restrição: ninguém chega até o lago nem para molhar os pés , ao contrário de poucos anos atrás, quando era permitido até mergulhar por lá.
''Me impressionou o rigor e controle no turismo. Nunca vi algo assim'', diz o escritor e jornalista Zuenir Ventura, que já esteve em Bonito. ''Mas tem de ter controle mesmo. Para quem gosta de ecologia e natureza, não tem lugar mais bonito.''
No fundo do Lago Azul, contam os guias, estão os fósseis de um bicho-preguiça e de um tigre. Segundo eles, os animais foram encontrados um ao lado do outro o que, dizem, mostra que caíram no lago durante uma luta há muitos e muitos anos. Também nas profundidades vive um tipo de camarão, albino e cego, encontrado somente por lá.
Para chegar até a gruta, a 20 quilômetros do centro da cidade, é necessário carro particular. O passeio também deve ser agendado não é permitida a entrada de crianças com menos de 5 anos.
Das formações rochosas diretamente para a água. A pedida é a flutuação no aquário natural do Rio Baía Bonita, a 8 quilômetros de Bonito, e que atrai aproximadamente 30 mil visitantes todos os anos. Munido de snorkel, roupa de neoprene imprescindível, principalmente nos meses mais frios , sandálias de plástico e colete salva-vidas, o visitante vai, flutuando, 800 metros rio abaixo. Na verdade, a sensação é de que se está levitando.
A companhia de piraputangas, curimbatás, dourados, lambaris e cascudos, entre outros peixes, é constante. Num ambiente em que a visibilidade se aproxima dos 100%, eles executam graciosos balés, quase sincronizados. Mas, para garantir toda essa visibilidade possível porque a água de lá é rica em calcário, uma espécie de purificador , é proibido bater pés e mãos, o que turvaria a água. O ''esforço'' vale a pena. No ponto mais fundo, com cerca de 3 metros, a beleza dos peixes ganha cores ainda mais contrastantes...
Quem se cansar, pode pedir ajuda ao barqueiro, que segue os grupos para o caso de alguma emergência ou de cansaço mesmo e seguir ''viagem'' do lado de fora. ''Saímos com grupos de, no máximo, nove pessoas, o que garante atenção a todos. Não há perigo'', garante o guia Li Glauber, de 36 anos, há 12 na função. Apesar da alternativa do barquinho, é bem difícil resistir a toda aquela beleza submersa.
Depois da flutuação, deve-se caminhar mais 800 metros para voltar até a sede. Quem quiser, pode, ainda, conferir a Trilha dos Animais em que, de determinados pontos e munidos de binóculos, os visitantes tentam identificar espécies pantaneiras de animais em 20 hectares de área. Os passeios começam às 7h30 a última turma sai às 15h30, para pegar os últimos raios de sol. (A.C.S.)





