Grupos francês e polonês mostram espetáculos sem palavras em São Paulo
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quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Beth Néspoli 
São Paulo, 11 (AE) - O divertido grupo francês Padox e o insólito teatro de imagens do grupo polonês Scena Plastyczna KUL - duas renomadas companhias de teatro - apresentam-se neste fim de semana em São Paulo. Ambos participam da vasta programação do 1999 Reticências, evento promovido pelo Sesc, que reúne artistas nacionais e internacionais das mais diversas áreas da criação artística.
Pela primeira vez no Brasil, o polonês KUL apresenta a partir de sábado, no Sesc Belenzinho, o espetáculo Wrota, com 11 atores sob direção de Leszek Madzik, um polonês que há 30 anos começou a desenvolver uma linguagem teatral bastante singular. Ele não utiliza palavras em seus espetáculos. Num teatro absolutamente escuro, os atores de "Wrota" não interpretam personagens, mas têm função semelhante aos outros elementos cênicos. Assim como os objetos cênicos, eles contribuem para a imagens que aos poucos vão sendo distinguidas na penumbra.
"Em meus espetáculos, o espectador não vai ouvir a narrativa de uma história, mas viver uma experiência sensorial"
afirma Madzik. "Primeiro o ser humano vive uma experiência, depois narra essa experiência", diz o diretor. "Narrar é um processo intelectual e não é isso que busco nos espetáculos, mas uma vivência emocional; descobri que é possível fazer contato com as pessoas sem utilizar palavras."
Madzik abandonou a palavra em seu trabalho teatral ainda na década de 70. Em 1974 criou "Icarus", um espetáculo inspirado no mito de Ícaro, o homem que morre tentando voar, no qual ele falava sobre várias situações de ascensão e queda do ser humano já sem utilizar palavras. "Em Icarus, o personagem machucava-se, mas não morria e o seu sofrimento o salvava", observa Madzik. "Nos meus espetáculos reflito sobre o sentido da vida, a passagem do tempo e sobre o sofrimento que leva à rendenção."
Em "Wrota" - segundo o diretor, a melhor tradução para o português seria Portal, pelo seu sentido místico, de passagem para outra dimensão -, o público vai mergulhar na escuridão absoluta. Aos poucos, começa a distinguir formas que se movem em círculo. "Esse círculo é um território de segurança e rompê-lo significa sofrimento, mas também salvação", diz Madzik. O que o diretor propõe ao público é vivenciar uma experiência de risco, sofrimento e redenção. Madzik esteve no Brasil há dois anos para participar de um evento de cenografia promovido pelo Sesc. Na ocasião, trouxe um vídeo de "Wrota", o que resultou na atual vinda do espetáculo ao País.
Já os franceses do Padox, que também não utilizam palavras, fazem sua terceira turnê no Brasil. Vestidos de preto, com cabeças enormes e corpos pesados e disformes, os atores do Padox vão fazer interferências pelas ruas da cidade, cada uma delas com cerca de 20 minutos de duração.
Portanto, a partir de amanhã (12), não se assuste caso os encontre nas ruas, nos arredores do Sesc ou numa das praças da cidade. Na verdade, vale pesquisar no roteiro e ir ao encontro desse grupo que leva a sério o conceito de arte como quebra do cotidiano. O objetivo da companhia fundada por Dominique Houdart e Jeanne Heuclin é transformar espaços urbanos por meio da poesia e do humor. Serviço - 12, 13 e 14/11 Padox. Com a companhia de Dominique Houdart e Jeanne Heuclin. Duração: 20 minutos. Amanhã (12), nas proximidades do Sesc Carmo. Rua do Carmo, 147, tel. 3105-9121 - às 12h30, no Poupatempo-Sé; às 16h30, na Praça Antônio Prado; às 18h30, Praça da República. Sábado, das 9 às 17 horas. Sesc Itaquera. Avenida Fernando Espírito Santo Alves de Mattos, 1.000
tel. 6521-7272. Domingo, das 9 às 17 horas. Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700. Até 21/11
13 e 15/11 Wrota. Realizado por Leszek Madzik, com o grupo Scena Plastyczna e música de Przemyslaw Gintrowski. Duração: 50 minutos. Sábado, às 19 e 21 horas. Segunda, às 15, 17 e 19 horas. R$ 10,00. Sesc Belenzinho - Teatro. Avenida álvaro Ramos, 991, tel. 6096-5963. Estréia sábado.


