Grupo suiço vem mostrar a ''tortura'' do som
A Mostra Internacional do Filo, como sempre, traz como rubrica a diversidade. Serão apresentados espetáculos das mais variadas tendências estéticas, com propostas irmanadas com sólida pesquisa cênica e grupos que atravessam os cinco continentes. Neste ano, pode-se destacar La Haine de La Musique, da Cia. Philippe Saire, espetáculo da Suíça inspirado numa visita do coreógrafo ao Brasil, em 1998. Na ocasião, ele se irritou com a repetição das músicas e do som ambiente que o massacrava. Saire concebeu uma coreografia sobre o mais tirânico dos sentidos, a audição, tentando mostrar que música pode se transformar em tortura.
O vigor do teatro polonês se faz presente mais uma vez no Filo. Femina, do Teatr Cogitatur, usa a ideologia poética de T. S. Elliot, com o poema Quarta-feira de Cinzas, e fragmenta a trajetória de uma mulher, desde seu nascimento até a morte. O grupo de linha experimental se destaca no cenário teatral do leste-europeu. A peça mostra uma linguagem visual impactante, com a personagem-título caminhando sobre as águas.
O SSmola Teatre, da Espanha, pisa em terra vermelha novamente. Presente na edição de 92, desta vez, o grupo traz o espetáculo Bailamos?, de caráter eminentemente subjetivo. A viagem inconsciente tem início numa parada rotineira de um carro defronte a uma cancela de trem. Nesse espaço de tempo, o motorista começa a questionar a temporalidade. Do Chile, La Patogallina faz uma simbiose entre cinema e teatro com El Husar de La Muerte. Resgatando a história do revolucionário chileno Manuel Rodriguez, a montagem simula um filme em preto-e-branco, reproduzindo o ambiente do cinema da década de 20.
Do Brasil, a Cia. Étnica de Dança e Teatro, do Rio de Janeiro, se vale dos parangolés do artista plástico Hélio Oiticica para criar os elementos cênicos da peça Cobertores, cuja direção leva a assinatura de Carmem Luz. Ela aproveita a imagem dos cobertores que os meninos de rua usam para se proteger e apresenta um teatro de denúnica social.(F.F.)





