Grupo Pia Fraus transforma a rua num grande palco
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sexta-feira, 20 de março de 1998
Curitiba 
Em todas as edições do Festival de Teatro de Curitiba o teatro de rua é mais que necessário - é essencial. Dentro da programação oficial estréia hoje à noite, na Boca Maldita, Éonoé, com o grupo paulista Pia Fraus. Interessante é que neste espetáculo o riso não é o principal, como se convencionou imaginar. A rua não é somente riso.
Até pode haver humorismo na montagem que vem aí, mas sem ser escrachado. A poesia ganha espaço com a fusão de linguagens utilizando-se o teatro de atores, de bonecos, dança e trapézios. Tudo para contar à platéia como foi o início dos tempos e o surgimento do homem.
A esse trabalho de cavocar fundo na história e buscar explicações sobre as raízes desta gigantesca árvore que se tornou a humanidade, dá-se o nome de cosmogonia. A mais famosa está no livro de Gênesis, da Bíblia Sagrada. Como povos de diversas épocas deram suas contribuições a um passado tão remoto, o dramaturgo José Rubens Siqueira pesquisou as diferentes versões e assim criou o seu espetáculo.
Duas toneladas de terra foram despejadas no calçadão da Boca Maldita, uma cruz de madeira com dez metros de altura e dois trapézios completam o cenário, com o que há de mais volumoso. É que Éonoé traz ainda elementos básicos de séculos atrás, como potes de barros e cestos de palha.
O ator Beto Andretta confirma a imponência: Nós demos ênfase em um visual forte. Tudo acontece dentro da arca de Noé. A água, a terra, o fogo é a trindade natural no princípio da evolução. Especialmente pelo seu caráter popular, ao levar Éonoé na rua. (Z.C.L.)


