Uma adaptação livre de obra homônima de Ítalo Calvino, ‘‘Cidades Invisíveis’’ é o novo espetáculo do grupo de teatro Cia. Independente, que estréia amanhã em Londrina. A adaptação é do diretor do grupo, Wagner Donadio de Souza. A montagem marca os 11 anos da Cia. Independente, que depois de fazer uma comédia ‘‘Três Tiros Oito Suspeitos’’, volta ao gênero dramático.
Segundo Wagner de Souza, a grande novidade deste espetáculo é que se trata da primeira montagem do grupo em um espaço alternativo, o Núcleo I. ‘‘É uma novidade inclusive para os atores que vão estar atuando próximos do público’’, afirma. O público fará parte de uma corte e, consequentemente, não será apenas a platéia, mas parte integrante da história.
‘‘Não será propriamente um espetáculo interativo; a interação é apenas intelectual’’, explica o diretor. A corte da qual o público fará parte é do imperador mongol Kublai Khan. Sentado no meio da platéia, o imperador escuta o relato de Marco Polo, sobre as cidades conquistadas por ele. Marco Polo sai em expedição a serviço de Kublai Khan e depois relata a ele suas conquistas.
A idéia do diretor é falar sobre o processo de individuação do homem, a partir das viagens de Marco Polo e seus relatos ao imperador. ‘‘O homem sabe sobre ele mesmo a partir de outro homem. Kublai Khan sabe sobre si, através de Marco Polo’’, analisa Wagner de Souza. ‘‘Ítalo Calvino utilizou a metáfora do viajante para iluminar os pontos mais escuros da alma humana’’, complementa.
‘‘Cidades Invisíveis’’, segundo o diretor do Cia. Independente, descreve os lugares visitados por Marco Polo. O roteiro conta com cinco blocos - Cidade das Memórias, dos Desejos, das Trocas, do Céu e das Mortes. ‘‘São cidades-mulheres, que simbolizam um sentimento, uma sensação de que já se esteve nelas de alguma forma’’, afirma Wagner de Souza.
O diretor explica que o espetáculo tem ‘‘a cara dos anos 90’’. ‘‘É um espetáculo conturbado, onde as idéias são jogadas’’, diz. O figurino é um elemento importante no espetáculo, não funciona apenas como mero complemento. ‘‘É um personagem importante nesta busca do homem’’, diz. Concebidos por Weber Rodrigues Wanderley e Wagner de Souza, os figurinos foram inspirados em grandes nomes da alta-costura como John Galliano, Christian Dior, Denner, Úngaro, Vivienne Westwood e Paco Rabanne.
As roupas trazem desde materiais caros, como cristal até tampinhas de garrafa. ‘‘Tivemos uma preocupação com pesquisa por acreditar que através da moda você pode contar a história do homem’’, afirma Wagner de Souza. Os cenários e adereços de ‘‘Cidades Invisíveis’’ são feitos a partir de material reciclável como latas de cerveja, papelão, restos de colares, brincos e pingentes, arames e miçangas.
• Cidades Invisíveis - dias 11, 12, 13, 19 e 20 de setembro, às 21 horas, no Núcleo I. Ingressos a R$ 10,00. Espetáculo não aconselhado para menores de 12 anos.

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