Grupo heavy alemão abre apresentação do dia 17
São Paulo, 29 (AE) - Parece temerário dizer, mas o show que promete injetar novidade no cenário do rock nacional será atração coadjuvante no dia 17, no Autódromo de Interlagos. Trata-se da banda alemã Rammstein, cujos integrantes cresceram na antiga Alemanha Oriental, que força a fronteira entre o techno e os sons industriais alemães com o heavy metal.
"Nossa geração tem de misturar coisas velhas com novas", disse o guitarrista e fundador do Rammstein, Richard Kruspe, em entrevista por telefone. Fã de Nine Inch Nails e Kraftwerk - o Rammstein regravou um antigo hit da banda, "Das Modell" -, o músico chega com seu grupo ao Brasil por ocasião do lançamento do seu novo CD, "Sehnsucht", uma palavra que quer dizer, em alemão, algo semelhante à nossa saudade.
"A saudade é a maior motivação do artista para fazer arte", diz Kruspe. "É a melhor maneira de exprimir um sentimento profundo", avalia. O Rammstein mostra uma alquimia poderosa no disco, que tem um tipo de abordagem meio macabra, às vezes, em canções como "Bestrafe Mich" (Castigue-me). O estranhamento começa pela capa do CD, que contrapõe as fotos dos integrantes do grupo como máscaras de tortura e uma praia paradisíaca. "Foi para acentuar a linha tênue que separa o dia da noite", diz o guitarrista. "Nós queremos mostrar que essa contradição está em qualquer lugar e, principalmente, dentro de nós", afirma.
Embora cante somente em alemão, o grupo já chamou a atenção de outros mercados. O diretor David Lynch incluiu duas de suas canções, "Rammstein" e "Hierate Mich" em seu mais recente filme, "A Estrada Perdida", junto com músicas de Davi Bowie, Trent Reznor, Smashing Pumpkins e Marilyn Manson. Também já são considerados cult em alguns países europeus, tendo participado do festival Hanging Out, em Londres, promovido pela MTV. A próxima meta é a conquista da América, onde o grupo inicia uma turnê por cidades como Los Angeles, Denver e Las Vegas. O décor dos shows do grupo, tão admirável quanto o do Kiss, é de responsabilidade do pintor Gottfried Hellwein, parceiro de Kruspe.
Do Brasil, o guitarrista conhece, claro, o Sepultura. Diz que a banda brasileira faz um metal tradicional e que sua força cresce quando mistura elementos, como samba com heavy metal. "É importante que os músicos de um país estejam abertos à música de outro país, mas é preciso expressar os sentimentos com muita clareza, sem mentir", pensa o músico.
O Rammstein surgiu há pouco mais de quatro anos, juntando amigos de Berlim e de Schwerin - além de Kruspe, o baixista Oliver riedel, o baterista Christoph Schneider, o guitarrista Paul Landers, o tecladista Flake Lorenz e o cantor Till Lindemann. Em Sehnsucht, eles têm ainda a participação da cantora Bobo. (J.M.)





