São Paulo, 01 (AE) - Tem teatro com sotaque gaúcho este fim de semana no Centro Cultural São Paulo. Criado há dez anos, o grupo Theatrum do Tambo já acumula prêmios em seu currículo e traz pela primeira vez à cidade dois espetáculo de seu repertório: "É Absolutamente Certo que Quem Sabe Talvez ele Venha" e "Tempestades da Paixão", ambos dirigidos por Angela Gonzaga.
No Rio Grande do Sul, Estado de origem do grupo, tambo é o nome do galpão onde as vacas são ordenhadas. E foi um galpão desses, num sítio situado a 65 quilômetros de Porto Alegre, que o grupo de nove integrantes reformou para transformar em sua sede. A cada novo trabalho, diretora e atores convidam os trabalhadores rurais da vizinhança para assistir aos ensaios e opinarem.
E não só eles. Convidam também diretores e atores gaúchos. "Tudo isso para criarmos espetáculos populares, não popularescos, ou seja, capazes de envolver qualquer tipo de público sem abrir mão de qualidade artística", diz Sandra.
"Tempestades de Paixão", que estréia hoje, é uma livre adaptação de "Noite de Reis", de Shakespeare. Como no original
a peça começa com um naufrágio, no qual os irmãos Viola e Sebastião salvam-se, porém perdem-se um do outro. Em terra estranha, Viola disfarça-se de homem para servir a um duque, ponto de partida para uma série de divertidas confusões.
No espetáculo, o público verá alguns elementos característicos da linguagem do grupo, como o cenário que vai transformando-se ao longo do espetáculo e a música ao vivo, cantada e executada pelos integrantes do grupo.
"É Absolutamente Certo que Quem Sabe Talvez ele Venha" reúne três esquetes de Karl Valentin. O primeiro, Ida ao Teatro, conta a história de uma família que prepara-se para ir ao teatro. "Eles se preocupam com a roupa, o sapato e imprimem uma dimensão tão absurda ao programa que dá vontade de pedir para que desistam", brinca Sandra.
Os outros dois esquetes seguem a mesma linha de ações cotidianas que se tornam patéticas, como a venda de uma casa e a preparação de uma festa de Natal. Cenários e figurinos foram criados pelos integrantes do grupo, os mesmos desde sua fundação
como o iluminador Breno Ketzer e o músico Jacques Klein.
Segundo Sandra, a grande vantagem de manter uma sede no interior do Estado é a liberdade no processo de trabalho. "Podemos passar seis ou oito meses criando um espetáculo e o isolamento dá uma sensação de liberdade que permite a construção de uma trajetória de acordo com nossa crença", argumenta a diretora.
Por outro lado, tiveram dificuldade em vencer o preconceito contra os "caipiras" nas cidades maiores. "Depois de dez anos e vários prêmios em festivais regionais, hoje já somos vistos como um grupo especial."

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