Grupo exibe a dinâmica da afetividade
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terça-feira, 08 de maio de 2001
Francelino França De Londrina 
As escassas notícias que chegam ao Brasil vindas da Colômbia se restringem aos fatos envolvendo tráfico de drogas. O muro de pó que separa a real Colômbia do resto do mundo impede que a cultura daquele país seja conhecida. O que sabemos sobre a cultura da Colômbia? Quase nada. O Festival Internacional de Londrina quebrou essa barreira cultural ao inserir na programação a Comapañia Álvaro Restrepo/Athanor Danza e colocar a cidade com uma parcela do que é produzido na dança naquele país.
No domingo, no Cine-Teatro Ouro Verde, Álvaro Restrepo e Jhair Cambindo se revezaram no palco. A primeira coreografia, Pequeño Réquiem, foi concebida a partir da dor lancinante pela perda da irmã de Restrepo. Ele procurou reduzir ao máximo os efeitos, as ações, para que o essencial reinasse no palco. Na tentativa de expurgar a dor, a apresentação ficou nos limites do invólucro particular, resvalando no melodramático. Álvaro Restrepo não conseguiu comunicar por completo o sentimento de perda e não atravessou o portal de luz, magnificamente elaborado.
Por trás de toda técnica e beleza cênica, na segunda parte do espetáculo Palenque: Terra y Muerte a simbologia do movimento e da cultura colombiana inundou o palco do Ouro Verde. A conexão com esses signos, analisados sob a perspectiva de grande unidade, mostrou uma dinâmica racional, convergindo para a acumulação de informações. Os elementos cênicos característicos da Colômbia restringiram a assimilação do público, que reagiu burocraticamente.
O oposto aconteceu com os discípulos de Restrepo, que superaram o mestre no palco. Os jovens do Grupo Piloto Experimental do Colegio Del Cuerpo, de Cartagena (norte da Colômbia), mostraram a dinâmica da afetividade com as coreografias El Alma de Las Cosas e Variaciones Sobre una Danza Coreana. Na polaridade da dança, os discípulos apresentaram uma preponderância yin, enquanto que o mestre yang.
O projeto de inserção social mostrou uma frutificação surpreendente, com uma sucessão de movimentos de sensibilidade e vigor. Na primeira parte, destaque para o jovem Eduard Martinez, que apresentou uma técnica perfeita e um potencial que precisa ser estimulado.
Com a coreografia de criação coletiva de El Alma de Las Cosas, pode ser preenchida essa fenda de informações sobre a cultura colombiana. Os jovens se mostraram audaciosos, evocando as raízes de sua região marítima. Contagiante e catártico, eles triunfaram ao mexer com a nossa latino-americanidade. Os jovens bailarinos não trazem no corpo a ditadura das formas do balé clássico, que padroniza a postura. Na descolonização do movimento, os talentosos colombianos clamavam: Liberta América Latina.


