GRUPO DE TEATRO GANHA SEDE
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quinta-feira, 13 de julho de 2000
Francelino França De Londrina 
O Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), entidade mantida pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná, e que ministra cursos na área de formação profissional, acaba de realizar uma parceria com a Cia. de Teatro Fase 3, de Londrina. A entidade ofereceu ao grupo um espaço para ensaios e desenvolvimento de atividades culturais, num louvável projeto de apoio cultural. A iniciativa vem beneficiar 25 integrantes do grupo, cujo trabalho vem repercutindo positivamente em todo o Paraná.
Para se ter uma idéia da importância da ação, em Londrina, a maior parte dos 18 grupos de teatro se vale de espaços improvisados, sem condições favoráveis para ensaios, com horários reduzidos. A carência para locais apropriados é imperativa, influenciando diretamente no resultado final dos espetáculos levados à cena. Para citar os poucos locais ideais para ensaios na cidade estão a Secretaria Municipal de Cultura, Escola Municipal de Teatro. Sesc Aeroporto e Núcleo I.
O Fase 3 estava utilizando uma sala diminuta no porão do estabelecimento de ensino, há seis meses, onde aconteciam as reuniões e eram guardados os objetos cênicos, aglutinados em anos de estrada. Como a sala era uma espécie de depósito do Senai, acabava embolando o material dos atores com o patrimônio do Senai. A solução encontrada por Maurílio Fregonezi, gerente regional, foi oferecer um espaço ocioso para que os atores pudessem desenvolver o trabalho a contento. Essa é a primeira vez que promovemos um intercâmbio desse tipo. Para o Senai, significa um apoio cultural importante, diz Fregonezi.
Numa residência com quase 100 metros quadrados, nas dependências do Senai (na Rua Belém), a Cia. de Theatro Fase 3 está agora instalada e cheia de projetos. Na casa construída há cinco décadas funcionava anteriormente uma oficina de costura industrial, agora desativada. O gerente regional do Senai percebeu, logo de início, a animação do pessoal e constatou: o ganho de vida que se tem numa atividade como essa é enorme.
Segundo João Henrique Bernardi, diretor artístico do grupo, além dos ensaios, o espaço valoroso servirá de base para cursos e oficinas, exposições de fotos contando história de Londrina e Paraná, reuniões de grupos culturais da cidade. A casa cultural também será utilizada para integração entre alunos e funcionários do Senai. Bernardi pretende integrar gerações com a oficina Quem Faz Arte Vive Mais, trabalhando o fazer teatral com a 3ª Idade e jovens atores. Essa é uma nova etapa para o grupo, afirma João Henrique, sem disfarçar o entusiasmo.
Sem parceria é difícil produzir arte. O Senai entra com o espaço, nós com o material humano. Sem espaço adequado é impossível fazer algo de qualidade, até por uma questão de segurança de não precisar mais levar nas costas o espaço de ensaio, como um caracol, afirma Maria Fernanda Coelho, atuando também na direção artística da Cia.
Com a parceria com o Fase 3, Fregonezi pretende levar às empresas peças sobre o Programa de Qualidade Total, adotado amplamente nas indústrias da cidade. Em comemoração aos 50 anos do Senai, a Cia. de Theatro Fase 3 apresenta o desfile Pó de Estrelas, no próximo dia 11 de agosto, às 19h30, no auditório da entidade, para funcionários, alunos e comunidade. O espetáculo resgata o primeiro século de existência do cinema, contando através da história da moda de que forma o cinema influenciou o comportamento e vestuário das pessoas. Logo a seguir, está agendada uma apresentação beneficiente do espetáculo.
Na trajetória do Fase 3, consta o intercâmbio com a diretora alemã Angie Hiesl, no Festival Internacional de Londrina, além de o grupo ser o único representante brasileiro no Festival Its My Life, em Colônia, Alemanha, em novembro de 1999. Nesse ano, no Festival de Todas as Artes, o intercâmbio se deu com a diretora italiana Nicolleta Robello, costurando a tragédia grega com a experiência de vida das atrizes da terceira idade. Atualmente, o grupo está se debruçando sobre as obras de Nelson Rodrigues e no projeto No Te Olvides de Mi, fazendo uma ligação entre a história da cidade com a memória afetiva das atrizes.


