Alice atravessa o espelho, e o leitor, ops, espectador vai atrás. Ela cai no buraco, e o público idem. O escritor inglês Lewis Carroll, ou Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898), possivelmente ficaria maravilhado com as inversões de espaço e tempo realizadas pela Armazém Companhia de Teatro em ‘‘Alice Através do Espelho’’, espetáculo que volta a São Paulo amanhã após curta temporada em 99.
Segundo o diretor Paulo Moraes, 35, o público (50 pessoas por sessão) torna-se cúmplice de um acontecimento estético, não é mero apreciador. ‘‘A gente bota o espectador dentro da história de forma efetiva. Ele experimenta as mesmas sensações de Alice’’, diz.
Para alcançar tais ‘‘efeitos especiais’’, diz Moraes, não se recorre a truques tecnológicos ou afins. As soluções são ‘‘simples’’.
O texto de Maurício Arruda Mendonça costura personagens de duas histórias de Carroll, ‘‘Alice no País das Maravilhas’’ e ‘‘Através do Espelho - E o que Alice Encontrou Lᒒ, como o Chapeleiro Maluco (Patrícia Selonk) e a Rainha (Simone Mazzer), além de Alice (Liliana Castro) e do próprio autor, Carroll/Dodgson (Alexandre Varella).
Apesar do impacto visual, o espetáculo tem na dramaturgia um dos seus principais suportes. ‘‘O universo que Carroll constrói depende muito das palavras, do jogo de linguagens, dos anagramas poéticos, dos paradoxos lógicos que ele propõe’’, diz Moraes.
Indicada para o Prêmio Shell 2000 na categoria especial, a companhia Armazém existe há 13 anos. Foi criada em Londrina (PR), mas há três anos transferiu-se para o Rio, com sede na Fundição Progresso.
O espetáculo ‘‘Alice Através do Espelho’’ com a Armazém Companhia de Teatro estréia hoje, às 21h. As sessões acontecem às quintas-feiras às 21h; sexta, sábado e domingo, às 19h e 21h. O Teatro da USP - Tusp- fica na rua Maria Antônia, 294, região central. Mais informações pelo telefone: 0/xx/11/255-5538.

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