Grupo de Londrina leva 'Alice' a São Paulo
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quinta-feira, 04 de janeiro de 2001
Valmir Santos Agência Folha 
Alice atravessa o espelho, e o leitor, ops, espectador vai atrás. Ela cai no buraco, e o público idem. O escritor inglês Lewis Carroll, ou Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898), possivelmente ficaria maravilhado com as inversões de espaço e tempo realizadas pela Armazém Companhia de Teatro em Alice Através do Espelho, espetáculo que volta a São Paulo amanhã após curta temporada em 99.
Segundo o diretor Paulo Moraes, 35, o público (50 pessoas por sessão) torna-se cúmplice de um acontecimento estético, não é mero apreciador. A gente bota o espectador dentro da história de forma efetiva. Ele experimenta as mesmas sensações de Alice, diz.
Para alcançar tais efeitos especiais, diz Moraes, não se recorre a truques tecnológicos ou afins. As soluções são simples.
O texto de Maurício Arruda Mendonça costura personagens de duas histórias de Carroll, Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho - E o que Alice Encontrou Lá, como o Chapeleiro Maluco (Patrícia Selonk) e a Rainha (Simone Mazzer), além de Alice (Liliana Castro) e do próprio autor, Carroll/Dodgson (Alexandre Varella).
Apesar do impacto visual, o espetáculo tem na dramaturgia um dos seus principais suportes. O universo que Carroll constrói depende muito das palavras, do jogo de linguagens, dos anagramas poéticos, dos paradoxos lógicos que ele propõe, diz Moraes.
Indicada para o Prêmio Shell 2000 na categoria especial, a companhia Armazém existe há 13 anos. Foi criada em Londrina (PR), mas há três anos transferiu-se para o Rio, com sede na Fundição Progresso.
O espetáculo Alice Através do Espelho com a Armazém Companhia de Teatro estréia hoje, às 21h. As sessões acontecem às quintas-feiras às 21h; sexta, sábado e domingo, às 19h e 21h. O Teatro da USP - Tusp- fica na rua Maria Antônia, 294, região central. Mais informações pelo telefone: 0/xx/11/255-5538.


