Grupo da Praça Nishinomiya comemora 19 anos de atividades
Mulheres e homens com idades que variam de 40 a mais de 80 anos relatam mais disposição com as atividades físicas ao ar livre
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segunda-feira, 24 de março de 2025
Mulheres e homens com idades que variam de 40 a mais de 80 anos relatam mais disposição com as atividades físicas ao ar livre
Suzi Bonfim/ Especial para a FOLHA 

Há 19 anos, a Praça Nishinomiya, na avenida Santos Dumond, em Londrina, é palco da atividade física de um grupo de homens e mulheres, de segunda a sexta-feira, das 7h às 8h.
O grupo que comemora o aniversário nesta quinta-feira (27), sob o comando voluntário de Ana Maria Barbosa de Oliveira, tem na bagagem relatos de uma melhor qualidade de vida físíca e mental pela prática diária dos exercícios e encontro com as pessoas com idades que vão de 40 a mais de 80 anos.
Na última sexta-feira (21), o ceú azul, os raios de sol ainda amenos e o ar fresco da manhã tornavam o ambiente e o cenário onde o grupo de ginástica se reúne no centro da praça Nishinomyia, simplesmente, perfeitos - o oposto do que se vê na maioria das academias. Ali, nem parece que se está em uma das avenidas mais movimentadas da cidade, em frente ao aeroporto.

A caloura da turma, a esteticista Nadir Damasceno, aos 66 anos, há um mês e meio fazendo exercício na praça já sente os efeitos positivos no tratamento da fibromialgia. “Eu tinha muitas dores e depois que comecei a fazer alongamento aqui, melhorei bastante. Hoje, comparando com 45 dias atrás, estou quase que sem dor. Além do exercício, aqui sempre tem ventinho, o ambiente, a temperatura e a energia são muito bons”, aponta.
Entre as novatas, Maura Shibayama, 55 anos, destaca o exemplo principalmente das mulheres que estão a mais tempo participando. “Pra começar, a energia aqui é maravilhosa e você tem exemplos, se inspira nas pessoas que estão no grupo desde o início”, diz Maura que afirma que nunca viu nenhum caso de Alzheimer, reclamações de incontinência urinária e demência no grupo, problemas comuns na faixa etária acima de 60 anos.
Leni Donato Nascimento, acaba de completar 85 anos e afirma que participar do grupo, três vezes por semana, há mais de 10 anos é uma benção. “Pra mim é muito bom. A amizade pura e boa que a gente tem aqui é muito importante ”, garante. Dona Leni também considera que os exercícios lhe dão a disposição necessária para cuidar do marido deficiênte visual e diabético. “Isso me ajuda muito em tudo, fisicamente e a minha cabeça. Não fico sem o grupo de jeito nenhum”, ressalta.
Uma das veteranas do grupo, Cecília Amano, 86 anos, desde os 70 é frequentadora assídua. Ela sempre praticou exercícios, mas estar ao ar livre é a principal vantagem. “Na academia eu tinha uma personal que falava pra eu correr na esteira. Eu prefiro correr aqui, levantar poeira. A gente respira ar puro, faz bem pra mente, pra perna. O dia que venho aqui fico mais disposta pra fazer o serviço em casa, o alogamento com vassoura”, brinca dona Cecília.
José Eiras, 62 anos, é um dos poucos homens que vêm pra praça. Ele fazia caminhadas quando decidiu se aliar aos exercícios em conjunto. “Além dos efeitos para o corpo, para a cabeça da gente é maravilhoso”, reconhece.
Mais saudáveis, com equilíbrio e coordenação em dia, eles parecem mais dispostos e abertos à socialização.

INSPIRAÇÃO ORIENTAL
Aos 74 anos, Ana Maria Oliveira está à frente do grupo de ginástica na Praça Nishinomiya, desde março de 2006. Ela seguiu os passos de uma taiwanesa conhecida como Alice (nome adotado no Brasil, Ana não sabe como é o nome chinês), que praticava Tai Chi Chuan, uma arte marcial milenar chinesa, naquele espaço. Ana que é também corredora passou a frequentar as aulas na praça e se tornou uma espécie de assistente de Alice que não falava português, na época.
Atualmente, 93 pessoas estão no grupo de WhatsApp, mas o número de participantes oscila muito, cerca de 35 são assíduas e as mulheres dominam.
Mas, o que leva uma mulher, jornalista de formação, casada, mãe de quatro filhos e oito netos, a se dedicar por quase duas décadas para melhorar a vida das pessoas?
“Faz parte do meu ser. Viajo o menos possível para manter a prática. O bem maior é pra mim mesmo. Só de ver que as pessoas gostam é uma alegria pra mim”, diz a instrutora que só não dá aula quando chove.

SEQUÊNCIA DE EXERCÍCIOS
Durante uma hora, Ana Maria realiza uma sequência de exercícios que misturam alongamento, aeróbica e posturas de Tai Chi Chuan. Ela que já fez balé e é corredora, acabou fazendo uma adaptação das posturas da arte marcial chinesa para que os alunos tivessem mais interesse pela prática.
Assim, de uma forma bastante criativa, Ana Maria executa os exercícios acompanhada do áudio de uma aula em chinês na caixa de som, o que cria um “clima” na praça Nishinomiya, similar ao que se vê nos espaços ao ar livre da China onde milhares de pessoas se exercitam ao mesmo tempo.
O trabalho de mobilidade das articulações, coordenação e respiração é intenso. Ao final, voltados para o sol, todos esfregam as mãos e colocam sobre os olhos absorvendo o calor e energia daquele momento.
SERVIÇO:
O grupo coordenado por Ana Maria Barbosa de Oliveira se reúne de segunda à sexta-feira, das 7 às 8 da manhã, na Praça Nishinomiya, próxima ao Aeroporto de Londrina.
Para participar, basta comparecer ao local e procurar a instrutora.


